O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, pretende aproveitar a suspensão do julgamento sobre a censura de uma pesquisa Atlas/Bloomberg para tentar construir um acordo com os demais integrantes da corte e reduzir o desgaste provocado pela decisão liminar (provisória) que vetou a divulgação do levantamento que mostrava queda de Flávio Bolsonaro (PL).

O objetivo de Kassio é usar o tempo do pedido de vista feito na terça-feira (9) pela ministra Estela Aranha para discutir as balizas que devem ser seguidas nas eleições de 2026 por institutos de pesquisa.

A liminar concedida pelo presidente do TSE, que censurou monocraticamente a pesquisa a pedido da pré-campanha de Flávio, foi alvo de críticas de vários espectros políticos, inclusive nomes da direita como os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Nos bastidores, ministros da cúpula do Judiciário e assessores também demonstraram desconforto com a postura do ministro.

Kassio vinha adotando um discurso de que conduziria a corte com menor grau de interferência sobre o processo eleitoral. Um de seus críticos chegou a comparar a censura com as ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que costumam ser rechaçadas pela direita sob o argumento de defesa da liberdade de expressão.