O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, sugeriu a criação de um "selo de qualidade" a ser concedido pela Justiça Eleitoral aos institutos de pesquisa que mais se aproximarem do resultado final das urnas. De acordo com o magistrado, a medida serviria para estimular o aprimoramento metodológico dos levantamentos.

Antes da proposta, Nunes Marques atendeu a pedido do Partido Liberal (PL) e suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do pré-candidato da sigla, Flávio Bolsonaro.

Entra eleição, sai eleição e sempre volta a tentativa de cercear a divulgação de pesquisas. Não espanta, portanto, a iniciativa do TSE, que vem revestida daquele típico paternalismo estatal intervencionista brasileiro. A título de prevenir isso ou aquilo, criam-se mecanismos para tutelar a sociedade que, na realidade, já dispõe de meios e capacidade para deliberar sobre os temas levantados.

No caso do selo, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) e cientistas políticos consideraram, com razão, tratar-se de um erro básico, que desvirtua a natureza das sondagens. No mais, o próprio setor pode, sem a necessidade de intervenção do Judiciário, criar mecanismos para zelar pelos bons parâmetros metodológicos. A credibilidade de institutos como o Datafolha, por exemplo, não se atesta e não requer selos do Judiciário.