Proposta desagrada parte dos institutos, que argumentam que pesquisas de intenção de voto são um retrato do momento Nunes Marques, presidente do TSE — Foto: Imagem Valor Econômico O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, propôs nesta terça-feira (14) um selo para premiar os institutos de pesquisa que mais acertarem os resultados das eleições. A minuta da iniciativa, batizada de “Selo de Acurácia Eleitoral”, foi apresentada durante reunião realizada pela manhã com os institutos. Segundo relator feitos ao Valor, grandes institutos se manifestaram contra a proposta. A reunião começou por volta das 9h20 e terminou às 10h30. Primeiro, Nunes Marques fez um discurso tratando da importância do encontro e apresentou a minuta do “Selo de Acurácia Eleitoral”. Depois, cada instituto presente falou por até cinco minutos. Nunes Marques também informou que o TSE seguirá recebendo sugestões sobre a minuta até sexta-feira (17). Além dele, participaram da reunião os ministros Antonio Carlos Ferreira, Estela Aranha, Floriano de Azevedo Marques e o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa. Os presentes, incluindo os integrantes do TSE, só tiveram conhecimento da minuta durante a reunião. Alguns deles também relataram discordar do documento apresentado por Nunes Marques. Segundo a minuta, o selo é “destinado ao reconhecimento e a valorização das empresas de pesquisa eleitoral, cujas estimativas apresentem maior aderência aos resultados oficiais proclamados pela Justiça Eleitoral”. “Receberão o selo todas as empresas que atenderem aos critérios de acurácia definidos no regulamento a ser editado pela presidência do Tribunal Superior Eleitoral”, prossegue o documento. A minuta também afirma que a iniciativa busca contribuir para “a precisão entre os dados levantados pelas pesquisas e os resultados oficiais das eleições”. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) deve emitir posicionamento ainda nesta terça-feira contra a proposta. Representantes da associação irão se reunir na parte da tarde para discutir a minuta. Entre os filiados à Abep estão os institutos Quaest Pesquisas, Datafolha, Real Time Big Data e Ipsos. O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, se disse favorável ao selo. “A AtlasIntel apoia a iniciativa do ministro Nunes Marques para a criação do selo de qualidade de pesquisas a partir de critérios objetivos de precisão. Estamos à disposição para contribuir na discussão metodológica, a partir de iniciativas semelhantes a nível institucional”, disse em publicação no X. Já institutos que consideram a iniciativa problemática sustentam que pesquisas de intenção de voto são um retrato do momento em que elas são feitas, de forma que premiar resultados seria desconhecer como levantamentos são realizados. A minuta, assim como as sugestões a serem feitas pelos institutos até sexta, podem servir para a edição de uma súmula mais ampla a respeito de levantamentos de intenção de voto. Nunes Marques e outros integrantes do TSE planejam tratar do tema antes da disputa deste ano. Entenda A reunião com representantes de institutos de pesquisa foi definida após Nunes Marques suspender a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel realizada em maio. O levantamento apontou a queda na intenção de voto em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, após revelações de que ele pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Master, para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A liminar foi submetida a referendo do plenário do TSE, mas paralisada por um pedido de vista (mais tempo para decidir). Como mostrou o Valor em 10 de junho, em vez de discutir apenas da AtlasIntel, Nunes Marques busca agora ampliar o debate e tratar da possível restrição a mídias, como áudios e vídeos, em pesquisas eleitorais. Após o questionário principal da pesquisa AtlasIntel que registrou a queda de Flávio Bolsonaro, foi exibido aos entrevistados o áudio em que o senador cobra Vorcaro. Nunes Marques entendeu que o instituto pode ter induzido respostas negativas com relação ao pré-candidato, o que o instituto nega. Em 9 de junho, o TSE chegou a começar a analisar a liminar de Nunes Marques, mas a ministra Estela Aranha pediu vista. Dias Toffoli tratou da utilização das mídias em um aparte. “Pode fazer vídeo? A gente sabe o que vai acontecer, vai ter vídeo para tudo que é lado, e pesquisa que mostra aquele vídeo e depois faz a pergunta. Diante desse vídeo, você votaria em A, B ou C? Vai ter vídeo até citando juízes. Não vamos ser ingênuos”, afirmou. Ele também disse que a pesquisa da AtlasIntel já circulou e que o TSE deve focar no “futuro”, balizando o que pode e o que não pode em pesquisas eleitorais. Segundo apurou o Valor, além de Nunes Marques e Toffoli, outros ministros do TSE têm preocupações semelhantes. Com isso, a corte eleitoral pode acabar optando por restringir a exibição de áudios e vídeos em pesquisas. Alguns dos magistrados queriam aguardar a reunião com os institutos antes de analisar a possibilidade de restrição. A previsão é que o julgamento paralisado no TSE volte em agosto, depois do recesso do Poder Judiciário, que dura todo o mês de julho.
Nunes Marques propõe selo de acerto em pesquisas eleitorais
Proposta desagrada parte dos institutos, que argumentam que pesquisas de intenção de voto são um retrato do momento










