Recebi o mesmo print três vezes em três grupos diferentes, de três amigas que não se conhecem, e isso nunca tinha acontecido comigo, ainda mais relacionado a um estudo de economia. Fui atrás do artigo inteiro, voltei a ele duas vezes e, desde então, não saio de uma frase de Claudia Goldin, economista de Harvard: quanto mais os homens conseguem provar, com gesto e não com promessa, que serão pais presentes, maior a chance de as mulheres decidirem ter filhos.

Óbvio, dito assim, mas é justamente o óbvio que a gente raramente nomeia em voz alta, ainda mais no mês em que se celebra o Dia dos Pais.

Goldin passou a carreira tentando entender por que mulheres com mais estudo e mais liberdade tiveram menos filhos. A resposta a que ela chega agora é mais simples e mais dura do que qualquer política pública de incentivo à natalidade. Não é dinheiro, não é licença-maternidade, não é creche gratuita, é confiança no parceiro.

A economista comparou países que cresceram rápido demais, sem tempo de ajustar a tradição à realidade, com países que cresceram devagar, por décadas. No Japão e na Itália, onde a diferença de horas de trabalho doméstico entre homens e mulheres passa de três horas por dia, a fecundidade despencou. Na Suécia e na Dinamarca, onde essa diferença é de menos de uma hora, ela se manteve bem mais alta. Quando o homem divide de verdade, a mulher tem filho, quando não divide, ela pesa os prós e os contras e, cada vez mais, escolhe não ter.