Quando um casal deixa de ter um filho ou uma filha que deseja por falta de condições econômicas, isso não é uma crise de fecundidade, é uma falha da sociedade. O desafio não é a queda da natalidade, é a falta de escolhas.

Durante muito tempo, os debates sobre a população foram reduzidos à pergunta errada: estamos tendo filhos demais ou de menos? A pergunta que realmente importa é: as pessoas conseguem construir a vida que desejam? O novo Survey de Futuros Demográficos, do Fundo de População da ONU (UNFPA), ajuda a responder essa questão.

O estudo ouviu mais de 108 mil jovens em 73 países e desmontou um dos principais mitos do debate atual: na verdade, a maioria deles continua desejando formar uma família. Mais de dois terços apontaram o casamento como modelo ideal de relacionamento. Em quase todo o mundo, dois filhos seguem sendo o tamanho de família mais desejado.

Entre pessoas de 35 a 39 anos que ainda não têm filhos, a maioria diz que gostaria de tê-los. O desejo permanece, o que diminui é a possibilidade de transformá-lo em realidade. A principal barreira é econômica: moradia inacessível, insegurança financeira, empregos precários e ausência de políticas de cuidado fazem com que milhões de pessoas adiem ou abandonem projetos de vida.