Li com curiosidade a entrevista com o filósofo David Benatar e sua proposta de que as pessoas não tenham mais filhos. Eu, que tenho quatro filhos, não consegui, contudo, aceitar o argumento. É um problema crônico de argumentos filosóficos sobre ética: eles são incapazes de convencer quem já não concorde com sua conclusão. Benatar considera a vida um palco de sofrimentos: dor, injustiça, morte. Melhor seria não ter jamais existido.
Simplesmente não consigo ver a existência assim. A vida pode ser palco de descobertas, tentativas meritórias, triunfos, alegrias; e isso justifica os males. Reconheço que há um certo otimismo na decisão de ter filhos. Vislumbro o futuro como uma aventura em que eu espero que eles possam contribuir e, quem sabe, prosperar.
O resto da humanidade, contudo, parece se adequar melhor ao antinatalismo de Benatar: a redução no número de filhos é um fenômeno global, inclusive no Brasil. Nossa taxa de fertilidade, 1,55 segundo o censo de 2022, está bem abaixo da taxa que manteria a população constante. Isso traz uma série de desafios, entre os quais o custo de se manter muito mais aposentados do que trabalhadores no futuro. Ao mesmo tempo, será mais fácil melhorar a qualidade da educação básica e deve incentivar a automação da mão de obra.








