Vitórias de Peggy Flanagan, em Minnesota, e de David Crowley, em Wisconsin, ajudam a definir a estratégia de um partido que busca enfrentar Trump e tirar dos republicanos o controle do Congresso 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Colagem de fotos da vice-governadora Peggy Flanagan (E) que venceu as primárias democratas para o Senado em Minnesota e do chefe do Executivo do Condado de Milwaukee, David Crowley (D), que venceu as primárias em Wisconsin — Foto: Jenn Ackerman e Jamie Kelter Davis / The New York Times As primárias realizadas em vários estados americanos produziram, nesta quarta-feira, um resultado dividido na disputa interna do Partido Democrata, com uma vitória em Minnesota para a ala esquerda, que, no entanto, sofreu uma derrota inesperada em Wisconsin para o candidato centrista. Com as eleições legislativas de novembro no horizonte, as primárias devem definir o rumo de um partido que busca a melhor forma de enfrentar o presidente americano, Donald Trump, e tirar dos republicanos o controle do Congresso dos Estados Unidos. Em Minnesota, a candidata democrata de esquerda Peggy Flanagan impôs-se com 59% dos votos sobre sua rival moderada, Angie Craig, e será a candidata para substituir a senadora em fim de mandato Tina Smith. A vice-governadora Peggy Flanagan discursa para apoiadores após vencer as primárias democratas para o Senado em Minnesota, em Minneapolis, na terça-feira, 11 de agosto de 2026 — Foto: Jenn Ackerman / The New York Times Flanagan, de 46 anos, contou com o apoio de Smith e de senadores de esquerda de destaque, entre eles Bernie Sanders e Elizabeth Warren, enquanto Craig foi respaldada por democratas que defendiam que seu histórico de vitórias em eleições acirradas a tornava a opção mais segura para as legislativas. A candidata de esquerda fez campanha com uma plataforma de oposição ao establishment, defendendo saúde universal e aumento do salário mínimo federal. Em seu discurso de vitória, afirmou que sua campanha representava “os muitos contra o dinheiro”, em uma referência à vantagem de Craig na arrecadação. A disputa em Minnesota também foi marcada pela reação às medidas de repressão à imigração adotadas pelo governo Trump no estado. Flanagan criticou Craig por um voto a favor de uma das principais políticas migratórias do presidente, decisão da qual a deputada posteriormente disse ter se arrependido. "Sinto-me verdadeiramente honrada e comovida por ser a indicada democrata de Minnesota para o Senado dos EUA. Obrigada, Minnesota, por tudo", escreveu Flanagan na rede social X. Flanagan recebeu em seguida o apoio de Craig, que em uma mensagem nas redes lhe ofereceu seu "apoio incondicional". Integrante da tribo White Earth Band of Ojibwe, Flanagan pode se tornar a primeira mulher indígena americana eleita para o Senado caso vença a eleição geral de novembro. Ela enfrentará a republicana Michele Tafoya, ex-repórter de campo da NFL, em um estado de tendência democrata, mas que tem enviado republicanos a Washington em algumas eleições nas últimas décadas. Enquanto isso, na disputa pela indicação democrata ao governo de Wisconsin, o centrista David Crowley, executivo do condado de Milwaukee, derrotou por uma margem estreita sua rival de esquerda, Francesca Hong, que era a favorita nas pesquisas. David Crowley, chefe do Executivo do Condado de Milwaukee e candidato democrata a governador de Wisconsin, após votar em uma seção eleitoral na Milwaukee German Immersion School, na terça-feira, 11 de agosto de 2026 — Foto: Jamie Kelter Davis / The New York Times Crowley obteve 39,8% contra 39,4% de Hong, segundo projeções da CNN, CBS e NBC. Wisconsin é um dos estados-pêndulo mais importantes dos Estados Unidos e tem um eleitorado dividido. Trump venceu o estado por menos de 30 mil votos em 2024, depois de perder para Joe Biden por pouco mais de 20 mil votos em 2020. Hong havia chegado à primária fortalecida por meses de organização de base, com cerca de 7 mil voluntários e uma plataforma populista que defendia saúde universal e aumento de impostos para os mais ricos. A vitória de Crowley, porém, mostrou a dificuldade da esquerda democrática em ampliar sua força para além dos grandes centros urbanos. Francesca Hong, a Wisconsin state assemblywoman and Democratic candidate for governor, addresses supporters at her primary night party in Madison, near midnight on Tuesday, Aug. 11, 2026. David Crowley, a moderate Milwaukee County executive, narrowly upset Hong. (Jamie Kelter Davis/The New York Times) — Foto: Jamie Kelter Davis / The New York Times O candidato de centro venceu após uma mobilização tardia do establishment democrata em torno de sua candidatura. O governador Tony Evers, que havia prometido não interferir na disputa para escolher seu sucessor, passou a fazer campanha ao lado do candidato e chegou a alertar que Hong “provavelmente” perderia para o republicano Tom Tiffany na eleição de novembro. Socialistas democráticos venceram neste ano uma primária para a prefeitura de Washington, D.C., e disputas internas para a Câmara dos Representantes em Nova York, Detroit, Filadélfia e Denver. Uma nova geração de candidatos de esquerda aspira a remodelar o Partido Democrata, que está dividido sobre até que ponto deve se deslocar para a esquerda enquanto tenta aproveitar os baixos índices de aprovação de Trump. Na semana passada, Abdul El-Sayed, da ala progressista, obteve uma vitória apertada sobre Haley Stevens nas primárias democratas ao Senado pelo Michigan. As vitórias de Flanagan e El-Sayed contrastam com o resultado de Wisconsin e reforçam a disputa dentro do Partido Democrata sobre até que ponto a legenda deve se deslocar para a esquerda para enfrentar Trump e reconquistar o Congresso. (Com AFP e New York Times)