Candidato Abdul El-Sayed derrotou Haley Stevens, apoiada pelo establishment democrata e pelo AIPAC, e disputará em novembro uma cadeira considerada decisiva para o controle do Senado americano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, dirige-se a apoiadores em seu evento da noite da eleição no Majestic Theatre, em Detroit, Michigan, em 4 de agosto de 2026 — Foto: JEFF KOWALSKY / AFP O candidato de esquerda Abdul El-Sayed venceu por uma margem apertada as primárias democratas de terça-feira em Michigan para concorrer ao Senado dos Estados Unidos em novembro, segundo projeções divulgadas pela NBC e pela CNN nesta quarta-feira. Considerado o principal triunfo da ala progressista do Partido Democrata neste ano, o resultado servirá como teste da capacidade de candidatos mais à esquerda vencerem eleições em estados decisivos. A vitória de El-Sayed representa uma derrota para o establishment democrata, que apoiou a veterana política Haley Stevens nesta disputa interna do partido para as eleições legislativas de meio de mandato. Stevens também recebeu o apoio do Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (AIPAC), cujo super PAC investiu ao menos US$ 30 milhões (cerca de R$ 153,6 milhões) em sua campanha — mais do que qualquer outro grupo externo destinou a um candidato nas primárias deste ano. Ainda assim, ela foi derrotada. Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, acena para apoiadores após discursar no evento da noite da eleição no The Majestic Theatre, em Detroit, Michigan, em 4 de agosto de 2026 — Foto: JEFF KOWALSKY / AFP O médico, de 41 anos, fez campanha contra a influência dos grandes doadores e das organizações pró-Israel na política americana. Filho de imigrantes egípcios e nascido em Michigan, El-Sayed colocou a guerra em Gaza no centro da campanha, classificou a ofensiva israelense como um genocídio e defendeu o corte da ajuda militar americana ao país. O vencedor democrata neste estado com mais de 10 milhões de habitantes, no norte do país, enfrentará o republicano Mike Rogers, que perdeu por pequena margem a eleição para o Senado em 2024 e foi o único candidato republicano nas primárias deste ano. Ambos disputam a vaga aberta com a aposentadoria do senador democrata Gary Peters. O Partido Democrata espera recuperar a maioria no Senado em novembro, e o assento em Michigan, onde o presidente americano, Donald Trump, venceu em 2024, é considerado um dos mais importantes do país. O desempenho de El-Sayed também será acompanhado de perto porque poderá influenciar os debates internos do partido antes da disputa presidencial de 2028. O resultado reforça o avanço da ala progressista democrata, que já havia conquistado vitórias recentes nas primárias de Nova York e Colorado. El-Sayed recebeu o apoio de figuras como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez. Durante a campanha, El-Sayed percorreu Michigan em mais de 500 eventos presenciais e conquistou forte apoio entre jovens, universitários e eleitores brancos de maior escolaridade, segundo análises do New York Times. Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou a vitória de El-Sayed, um candidato que ele qualifica como "comunista", como "uma ótima notícia para o Partido Republicano" e afirmou que "as pesquisas erraram feio". O presidente também ironizou Haley Stevens ao dizer que ela teve desempenho melhor do que o esperado e voltou a atacar o Partido Democrata. Por sua vez, Abdul El-Sayed fez um apelo na noite de terça-feira para "recompor" o campo democrata, "seja qual for a magnitude de nossas divergências". Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, Stevens anunciou que apoiará El-Sayed na eleição de novembro e defendeu a união do partido. "Esta foi uma campanha intensa e abrangente, que refletiu toda a diversidade de opiniões dentro do Partido Democrata", afirmou. Segundo ela, o objetivo agora é manter a cadeira com os democratas e recuperar a maioria no Senado. Em seu primeiro discurso após a confirmação da vitória, nesta quarta-feira, El-Sayed voltou a defender a unidade do partido e dirigiu-se aos apoiadores de Stevens. — Minha história nos Estados Unidos é uma das mais improváveis que se pode imaginar — afirmou ao encerrar o discurso. (Com AFP e New York Times)