Pesquisa mostrou que eleitores do Partido Democrata querem que candidatos se posicionem mais à esquerda, com propostas como o aumento dos impostos sobre empresas e bilionários 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 David Crowley, candidato democrata ao governo de Wisconsin, fala a apoiadores reunidos no escritório do Partido Democrata do Condado de Sheboygan durante um ato de campanha, em 7 de agosto de 2026, em Sheboygan, Wisconsin — Foto: AP/Kayla Wolf O moderado David Crowley derrotou a socialista democrata Francesca Hong em uma disputa acirrada nas primárias democratas para o governo de Wisconsin, votação acompanhada de perto e vista como um importante teste da força dos candidatos progressistas nesse Estado considerado decisivo eleitoralmente. Segundo projeções de veículos de comunicação americanos, incluindo Associated Press e NBC News, Crowley, chefe do Executivo do Condado de Milwaukee, foi escolhido pelos democratas de Wisconsin em vez de Hong, que buscava se tornar a primeira governadora socialista democrata do Estado. O candidato enfrentará na eleição geral de novembro o escolhido pelos republicanos, o deputado federal Tom Tiffany. Os resultados das primárias desta terça-feira no meio-oeste americano também levantaram dúvidas sobre o peso de um apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em Minnesota, o ex-CEO da MyPillow, Mike Lindell, perdeu a indicação republicana para o governo estadual para a presidente da Câmara dos Deputados de Minnesota, Lisa Demuth, apesar do apoio público de Trump. Lindell é um antigo aliado de Trump e defensor da falsa alegação de que a eleição presidencial de 2020 foi roubada. Lindell recebeu o apoio de Trump em maio, quando o presidente escreveu na Truth Social: “Mike será ESPETACULAR!!! Ele realmente ama Minnesota, assim como eu, e quer resgatar o Estado do esquecimento e do constrangimento. Ele consegue!” Demuth deve enfrentar uma disputa difícil contra a candidata democrata, a senadora Amy Klobuchar, que venceu com facilidade as primárias de seu partido, após a “Operação Metro Surge”, campanha de deportação de imigrantes em Minneapolis que resultou na morte de duas pessoas. Mike Lindell, candidato republicano ao governo de Minnesota, faz sinal de positivo com os dois polegares ao chegar para participar de um fórum de candidatos ao governo do Estado, em Morgan, Minnesota, em 5 de agosto de 2026 — Foto: AP/Ellen Schmidt Disputa pelo Senado em Minnesota As primárias democratas para o Senado em Minnesota indicaram que candidatos mais à esquerda ainda têm força, com a vice-governadora progressista Peggy Flanagan, eleita na chapa do governador Tim Walz em 2018, derrotando a deputada federal Angie Craig, considerada mais moderada. As candidatas disputam a vaga que será deixada pela senadora Tina Smith, democrata de Minnesota que anunciou sua aposentadoria em fevereiro de 2025. Craig foi a única democrata de Minnesota a votar a favor da Lei Laken Riley, que concedeu ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) poderes mais amplos para deter imigrantes acusados de determinados crimes, mas posteriormente afirmou que se arrependia de seu voto. Flanagan afirmou que o ICE está fora de controle e precisa ser extinto. A vice-governadora de Minnesota, Peggy Flanagan, candidata democrata ao Senado dos Estados Unidos, fala a apoiadores durante um evento na noite da eleição, em 11 de agosto de 2026, em Minneapolis — Foto: AP/Ellen Schmidt Em Wisconsin, as propostas mais à esquerda de Hong, incluindo a extinção do ICE, uma moratória de um ano para data centers e o aumento de impostos sobre bilionários e empresas, podem estar ganhando popularidade entre os eleitores democratas. Uma pesquisa recente Reuters/Ipsos mostra que os eleitores democratas querem que os candidatos do partido se posicionem mais à esquerda. Mais de sete em cada dez democratas liberais dizem ser “essencial” que os candidatos do partido apoiem o aumento dos impostos sobre empresas e bilionários (76%), a ampliação do acesso ao aborto (72%) e um sistema universal de saúde fornecido pelo governo (71%). Mas, diferentemente de Abdul El-Sayed, outro progressista que venceu as primárias democratas para o Senado em Michigan no início deste mês, Hong concorreu sem o apoio do senador Bernie Sanders, de Vermont, e da deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York. Hong também enfrentou críticas após antigas publicações no X voltarem a circular, incluindo uma de novembro de 2020, no auge de uma onda de covid-19, na qual escreveu: “Por favor, NÃO se reúnam para o feriado do colonizador”, e outra em que afirmou: “Cancelem o Dia de Ação de Graças. Deveríamos ter feito isso em 1621.” Em entrevistas recentes, Hong recuou dessas declarações, afirmando que, como chef, tinha boas lembranças do feriado de Ação de Graças, mas que a data é um momento doloroso para muitas pessoas. Em outra entrevista, disse que não queria cancelar o Dia de Ação de Graças. Hong não respondeu a um pedido de entrevista. Enquanto isso, no 3º distrito congressional de Wisconsin, os democratas escolheram Rebecca Cooke, ex-proprietária de uma pequena empresa e ex-garçonete que já disputou a cadeira duas vezes, para enfrentar o republicano Derrick Van Orden, aliado de Trump que representa o distrito desde 2022, em uma das disputas pela Câmara dos Deputados mais competitivas do país. Cooke arrecadou mais recursos de campanha do que Van Orden, e o Comitê de Campanha Democrata para o Congresso incluiu seu nome no programa Red to Blue, que oferece apoio organizacional e financeiro a candidatos nas eleições consideradas mais disputadas.