PUBLICIDADE Com seis vitórias de candidatos da ala progressista nas prévias, incluindo três ao Congresso, prefeito da maior cidade dos EUA expande seu capital político e o da ala progressista do Partido Democrata; Republicanos vêem oportunidade com ‘radicalismo’ da oposição para manterem maioria do Congresso 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Prefeito de Nova York, que venceu há exatamente um ano as primárias municipais do Partido Democrata, é o grande vitorioso, uma vez mais, das prévias da oposição — Foto: Michael M. Santiago/Getty Images/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 14:46 "Ala progressista vence primárias democratas em NY e desafia estratégia republicana" As primárias democratas em Nova York resultaram em um fortalecimento da ala progressista do partido, liderada pelo prefeito Zohran Mamdani, que desafiou candidatos moderados e conquistou seis vitórias. Este movimento, batizado de "onda Mamdani", embaralha a estratégia republicana para as eleições de novembro, ao tentar capitalizar sobre o "radicalismo" da oposição. A esquerda busca expandir sua influência além dos centros urbanos, mirando a classe média-baixa em áreas rurais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A cadeira de prefeito de Nova York aumentou de tamanho nesta terça-feira (23/6). Ou, como traduziu o Daily News em sua primeira página, testemunhou-se um “Choque da esquerda”. Desta vez, o tabloide não exagerou. Em manobra política arriscada, o prefeito Zohran Mamdani, há pouco mais de cinco meses no cargo, recrutou sete candidatos da ala progressista do Partido Democrata para enfrentar nas prévias internas candidatos moderados, entre eles deputados federais e estaduais em busca da reeleição. Venceu seis disputas, encerrou um punhado de carreiras longevas e ainda comprovou a falta de consenso em torno de uma estratégia nacional na oposição para o pleito que, em novembro, decidirá o controle do Congresso. Não é pouco. A recém-batizada “onda Mamdani” desafia a cartilha dos moderados, entre eles os dois líderes do Partido Democrata no Congresso, o senador Chuck Schumer e o deputado Hakeem Jeffries, defensores de uma cautelosa migração da sigla para o centro afim de atrair os votos de independentes e eleitores arrependidos do presidente Donald Trump. Elaborada a partir de pesquisas internas, seria o caminho, argumentam, para derrotar o populismo de direita. Seus eleitores – os dois caciques da oposição são de Nova York — discordaram e votaram em peso nesta terça contra a receita. Os nova-yorkinos dobraram a aposta na mensagem à esquerda que levou, aos 34 anos, o então pouco conhecido deputado estadual do Queens ao comando da maior cidade dos Estados Unidos, em vitória maiúscula sobre o candidato do comando da sigla, o ex-governador Andrew Cuomo. — Nesta quarta-feira (24/6) fará exatamente um ano que vencemos as primárias para prefeito {de Nova York]. Provamos que aquele resultado não foi uma anomalia. Muito menos o fim. Foi é o começo. — afirmou um sorridente Mamdani na festa da vitória de Clara Valdez. Assim como o prefeito, Valdez era uma deputada estadual sem grande expressão. Está agora virtualmente eleita pra o Congresso, dado o número de eleitores que votam na sigla no distrito. Aos 36 anos, também filiada à sublegenda socialista abrigada no Partido Democrata, conhece de perto os anseios de quem rala para terminar o mês no azul após anos trabalhando como empacotadora e caixa de supermercado. — A mensagem de hoje é clara: há um outro caminho para a política de nossa cidade e de nosso país, que priorize os trabalhadores — afirmou Mamdani em outra festa, a de Darializa Avila Chevalier, também socialista, que aos 32 anos derrotou o septuagenário Adriano Espaillat, poderoso líder da bancada latina na Câmara. O peso de Israel Afro-latina e muçulmana do Harlem, mãe solteira, ela trabalhou como assistente social até se tornar defensora pública, atuando em favor de famílias de imigrantes e denunciando os abuso da polícia de imigração federal (ICE, na Sigla em inglês). Organizadora comunitária, se destacou nos protestos de estudantes na Universidade de Columbia contra Israel. Exatamente como há um ano, mostram as pesquisas, um dos combustíveis para a vitória de ontem foi a contrariedade dos eleitores ao apoio incondicional da elite política, dos dois lados do tabuleiro, a Israel, mesmo após as milhares de mortes de palestinos e destruição da Faixa de Gaza. Chevalier será um alvo prioritário dos republicanos em novembro, interessados em apresentar o avanço dos “radicais” no Partido Democrata,. Em fogo amigo, apoiadores de Espaillat desenterraram durante a campanha tuítes de uma conta da adversária, depois apagada, em que ela defendia o comunismo. E os governistas estão ávidos para desviar a atenção dos eleitores para longe dos efeitos do atoleiro no Irã e do aumento do custo de vida no Trump 2.0, duas das teclas batidas pela esquerda como prova da distância dos interesses da atual Casa Branca da maioria dos eleitores. Não será tarefa fácil. No mesmo dia em que a esquerda canta vitória em Nova York, Trump afirmou que não sancionará de imediato o projeto de lei bipartidário voltado para a moradia acessível, para irritação de líderes de seu próprio partido. Só dará seu ok quando os senadores governistas, que controlam a casa alta do Capitólio, aprovarem seu controverso projeto de modificação das regras eleitorais, considerado inconstitucional por diversos juristas. Aposta na América Pronfunda A falta de consenso em Washington escancara a fragilidade do Trump 2.0, com recorde de impopularidade e apoio na casa dos 35%. É o que faz com que um outro aliado de Mamdani vitorioso em Nova York, Brad Lander, resumisse assim o caminho da oposição para novembro: "de um lado estamos nós, que lutamos, de outro, eles, que capitulam". Apontava para o desejo dos eleitores nova-yorkinos de mais enfrentamento e menos acomodamento com a atual Casa Branca. Para além dos feitos em Nova York, a esquerda venceu as primárias para o Senado no Maine e está à frente nas pesquisas para o mesmo cargo no Michigan, em disputas decisivas para determinar quem controlará a casa alta do Capitólio. Teve mais votos para a prefeitura de Washington e de Seattle, e disputa o comando de Los Angeles. Só novembro, no entanto, irá provar se o fenômeno ficará restrito aos centros urbanos ou se estenderá para a América Profunda. Em rincões onde o Partido Democrata havia se resignado a nem apresentar mais candidatos, os progressistas disputam contra a direita com nomes de fora da política tradicional. Apostam que conquistarão o voto da classe média-baixa nas zonas rurais e em áreas que sofreram com a desindustrialização e tirarão da sigla a marca de partido da elite repetindo o "choque", desta vez no berço do trumpismo.
'Choque da esquerda': primárias democratas em NY aumentam força de Mamdani e embaralham estratégia da oposição para novembro
Com seis vitórias de candidatos da ala progressista nas prévias, incluindo três ao Congresso, prefeito da maior cidade dos EUA expande seu capital político e o da ala progressista do Partido Democrata; Republicanos vêem oportunidade com ‘radicalismo’ da oposição para manterem maioria do Congresso










