Em 2020, quando era juiz da 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Milton foi ao prédio onde morava uma desembargadora para questionar por que ela havia lhe atribuído nota 98, e não 100, no processo de promoção por merecimento ao cargo de desembargador. Segundo a apuração feita pelo tribunal, ele apresentava sinais de embriaguez ao chegar ao local. 'Odor de cerveja' e 'caminhada cambalente' O porteiro do edifício relatou que o juiz carregava uma lata de cerveja, tinha odor de álcool e caminhava de forma cambaleante. A magistrada estava se preparando para dormir, e não deu autorização para ele entrar no prédio. O funcionário afirmou, porém, que Milton não foi agressivo nem deselegante. A desembargadora apresentou uma representação ao tribunal e pediu providências para garantir sua segurança. Durante a apuração, porém, as supostas ameaças mencionadas atribuídas a ele não foram comprovadas. O episódio levou à abertura de uma sindicância e, posteriormente, de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no TJMG. Em 22 de junho de 2022, o Órgão Especial do tribunal concluiu, por maioria, que a acusação era procedente e aplicou ao magistrado uma pena de advertência. O g1 procurou o TJMG e o magistrado para um posicionamento sobre este novo caso, mas não obteve retorno até a última atualização. LEIA TAMBÉM Juiz aparece bebendo vinho diretamente da garrafa durante audiência realizada por videoconferência.. — Foto: Redes sociais O Conselho Nacional de Justiça afastou o juiz mineiro que apareceu bebendo e fumando durante audiência 'Incompatível com a dignidade da função' A decisão pela advertência considerou que o comportamento de Milton era incompatível com a dignidade da função, a honra da magistratura e o respeito esperado de um integrante do Judiciário. A punição, portanto, não ocorreu porque uma ameaça contra a desembargadora tenha sido comprovada, mas pelo comportamento considerado inadequado para um juiz. O julgamento também registrou que o magistrado apresentava intoxicação por álcool e medicamentos no momento do episódio. A tese de que a embriaguez teria ocorrido de forma involuntária foi rejeitada pelos julgadores. Os documentos públicos consultados não informam quais medicamentos foram mencionados nem detalham os fundamentos usados para afastar essa versão. Na defesa, Milton afirmou que sofria pressão do pai dele, que é desembargador aposentado e desejava vê-lo promovido ao cargo de desembargador. Em agosto de 2022, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) arquivou o procedimento aberto para acompanhar o processo disciplinar. O órgão considerou satisfatórias as informações apresentadas pelo TJMG sobre a investigação, o julgamento e a aplicação da penalidade. O arquivamento pelo CNJ não anulou a advertência aplicada pelo TJMG e não significou uma absolvição do magistrado. Vinho e cigarro em sessão virtual Agora, quatro anos após a punição, Milton voltou a ser alvo de apuração no TJMG. Um vídeo da sessão virtual de julgamento realizada nesta segunda-feira (10) mostra o juiz consumindo vinho e fumando durante a atividade. Após tomar conhecimento do episódio, o TJMG informou que determinou uma apuração “imediata e rigorosa” para verificar eventual falta funcional. O procedimento deverá avaliar as circunstâncias do episódio e se a conduta adotada durante a sessão é incompatível com os deveres exigidos de um magistrado. Imagens do juiz Milton Lívio Lemos Salles — Foto: Reprodução/TV Globo Juiz diz ser vítima de difamação Na gravação, o juiz também fez ofensas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao ministro Alexandre de Moraes e a desembargadores mineiros, além de fazer acusações de corrupção de corrupção sem apresentar provas. Vídeos mais vistos do g1 Minas
Juiz que bebeu vinho em sessão já foi punido por caso com álcool | G1
Milton Lívio Lemos Salles foi punido pelo TJMG em 2022 por conduta incompatível com a função de magistrado após questionar nota em processo de promoção.











