Quando entrei para o jornal The New York Times como colunista, há 17 anos, o presidente Barack Obama ainda desfrutava do entusiasmo e da popularidade de seu primeiro mandato. Tanto nos círculos políticos quanto nos culturais, havia uma confiança desmedida de que sua combinação de liberalismo social e ambição tecnocrática havia varrido a era conservadora da política americana.
O trabalho de um colunista abarca uma infinidade de coisas, mas é útil ter um antagonista principal, uma visão de mundo específica que, em sua opinião, precisa ser questionada e criticada.
Para mim, durante muitos anos, essa visão de mundo foi o consenso das elites do início da era Obama —uma perspectiva majoritariamente de centro-esquerda, também compartilhada por magnatas do Vale do Silício, políticos centristas ao estilo de Michael Bloomberg e parcelas da classe de consultores republicanos.
O colunista do The New York Times, Ross Douthat, durante uma conversa no lounge do Metropolitan Museum of Art, em Nova York - Vincent Tullo - 15.mai.18/The New York Times
Era uma perspectiva moralmente permissiva e deliberadamente cosmopolita, que combinava multilateralismo e belicismo na política externa e se mostrava otimista quanto à possibilidade de uma elite meritocrática conduzir um mundo em processo de globalização rumo à prosperidade e à harmonia.






