Escrevi minha primeira coluna na Folha no final de 2016, o ano da primeira eleição de Donald Trump. Um dos possíveis marcos iniciais de um ciclo que veio dar nesse estranho agora.
Como era dezembro, tratei das palavras midiáticas daquele ano, inclusive a escolha do dicionário Oxford — "post-truth", pós-verdade. Observei que "num mundo em que as redes sociais formam a opinião pública, algo profundo mudou".
É curioso pensar que ninguém previa então a outra volta do parafuso que os tecnobilionários tinham em estoque. Dez anos atrás foi ontem, e, ao mesmo tempo, outra era.
Quem imaginava que, depois de nos rodear em cercadinhos de atenção monetizados, os donos do mundo iam caminhar para um extremismo apocalíptico de direita e nos injetar sem controle, submetida só a leis de mercado, a droga dos LLMs?
Outro dia me ocorreu que todo ser humano vivo hoje lembra aqueles moradores de Goiânia brincando com o belíssimo césio-137. Ideia doida, não? Nada a ver. E, no entanto...







