Ao longo da última década, milhares de pessoas enganaram você sobre a inteligência artificial. Disseram na televisão, nos jornais e nas redes sociais que a IA era apenas uma bolha, que o entusiasmo desapareceria em poucos meses e que você não deveria perder tempo acompanhando mais uma modinha tecnológica passageira.PUBLICIDADEQuase toda semana, um grande jornal brasileiro parecia encontrar um CEO, um futurólogo, um neurocientista ou alguma celebridade disposta a decretar que a IA estava prestes a cair na irrelevância. As previsões raramente vinham acompanhadas de conhecimento técnico ou de uma compreensão sobre o que estava acontecendo dentro dos laboratórios. Mesmo assim, recebiam títulos chamativos e uma ampla repercussão nas redes sociais.Enquanto isso, as colunas e entrevistas com pesquisadores que estudavam a área e alertavam sobre a dimensão do que estava começando eram escondidas no fundo das páginas dos jornais e revistas. Em muitos casos, nem chegavam a ser publicadas. O público recebeu repetidamente a mensagem de que prestar atenção à inteligência artificial era ingenuidade, enquanto ignorá-la seria uma demonstração de lucidez e bom senso.Leia tambémA inteligência artificial começou a fazer descobertas e a ciência nunca mais será a mesmaVocê tem bom gosto? Na era da IA, é isso que vai te diferenciarOs danos que isso causou à sociedade provavelmente serão medidos um dia com a ajuda de alguma IA, mas certamente são expressivos. Milhões de profissionais deixaram de estudar uma tecnologia que começava a transformar suas ocupações, empresas adiaram investimentos, universidades demoraram a atualizar seus cursos e governos trataram como uma possibilidade muito distante.PublicidadeUm relatório publicado em junho pela PwC ajuda a dimensionar esse impacto. O estudo analisou mais de um bilhão de anúncios de emprego em 27 países e territórios. As empresas mais capazes de utilizar IA apresentaram crescimento de 52% no número de funcionários, enquanto o crescimento entre as empresas menos expostas à tecnologia foi de 36%. Os salários também cresceram mais rapidamente nas organizações com maior capacidade de usar IA, 24%, contra 17% nas demais.Empresas que apostaram mais cedo em inteligência artificial tem produtividade maior Foto: SYCREATION - stock.adobe.comA distância na produtividade é ainda mais expressiva. Segundo o relatório, o grupo formado pelos 20% de empresas mais expostas à IA alcançou crescimento médio de 163% na produtividade do trabalho em relação a 2018. São as chamadas empresas superestrelas da IA, que começam a se distanciar de concorrentes agora incapazes de incorporar a tecnologia aos seus processos.Durante anos, muita gente foi recompensada por dizer que você não precisava prestar atenção à inteligência artificial. Essas pessoas acumularam visualizações e seguiram para o próximo assunto. A conta ficou com os profissionais que não se prepararam e com as instituições que agora precisam correr para alcançar uma revolução que está em fase exponencial.O custo real e duradouro de não ter levado a inteligência artificial a sério foram as oportunidades que desapareceram, e essa distância continua crescendo. A história não devolverá os anos perdidos, mas ainda é possível impedir que o atraso fique maior.
Opinião | O custo duradouro de não levar a inteligência artificial a sério
Empresas, governos e profissionais já estão pagando o preço por terem ignorado a revolução da IA








