Quando publiquei minha primeira coluna aqui, em dezembro de 2017, o mundo já vivia um período de mudanças aceleradas. Mas talvez não esperasse o grau de intensidade das transformações nos anos seguintes, quando definitivamente entramos numa era de crises sistêmicas e interconectadas.
Passamos por uma pandemia; guerras voltaram ao centro da geopolítica; a inteligência artificial deu um salto impressionante. Os eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes, fizeram a degradação ambiental deixar de ser tema de nicho e ocupar o centro das preocupações econômicas e políticas. Organizações criminosas se fortaleceram e se expandiram para além das fronteiras, e se conectaram ao ecossistema do crime ambiental.
O Brasil também mudou. Em meio a uma montanha-russa de fatos políticos, vivemos um período de fechamento do espaço cívico. Sobrevivemos à mais séria ameaça à nossa democracia desde 1964 e caímos em sucessivas crises institucionais. Passamos por retrocessos e avanços na segurança pública; incentivamos e criamos instrumentos financeiros inovadores para impulsionar bioeconomias – e abraçamos a COP30 em Belém como estandarte do reposicionamento do país em temas internacionais.
Em um ambiente de tantas incertezas, tornou-se ainda mais difícil separar fatos de ruídos, urgências de prioridades. Mas nunca foi tão necessário.







