Donald Trump visitou a China, e a esta altura o leitor que acompanha esta coluna possivelmente espera que eu use este espaço para analisar os desdobramentos da ocasião. Haverá momento para isso no meu próximo texto, mas por hora gostaria de focar um tema que talvez tenha passado fora do radar no noticiário brasileiro.

É que enquanto o presidente americano se reunia com Xi Jinping, uma das maiores empresas de inteligência artificial do mundo fez algo pouco comum nessa área: publicou um artigo sobre como analisa a competição com a China nesta tecnologia tão definidora do futuro próximo.

Dona do modelo Claude e avaliada em mais de US$ 60 bilhões, a Anthropic divulgou na quarta-feira (13) um documento defendendo que Estados Unidos e aliados precisam agir agora para consolidar uma vantagem de 12 a 24 meses sobre a China em IA até 2028.

Intitulado "2028: Dois cenários para liderança global em IA", não é um artigo acadêmico. É uma empresa dizendo ao governo Trump o que fazer e por quê.

A tese central é que a corrida por IA é, antes de tudo, uma corrida pelos chips avançados nos quais os modelos são treinados. EUA e aliados dominam essa cadeia, e controles de exportação bipartidários limitam o acesso chinês.