Uma grande cúpula em Pequim é um momento natural para avaliar o estado da competição entre Estados Unidose China, a dinâmica do conflito entre grandes potências e o equilíbrio de forças nesta nova Guerra Fria —ou talvez apenas morna.

É também uma boa oportunidade para revisitar minhas próprias previsões. Seis anos atrás, nos primeiros dias do coronavírus, argumentei que, em vez de um "século chinês", poderíamos estar diante de uma "década chinesa": uma janela em que o poder da China atingiria seu pico e a posição americana estaria sob máxima ameaça, mas com um equilíbrio mais favorável aguardando os EUA na segunda metade do século, caso conseguíssemos atravessar esse auge ilesos.

Uma parte dessa análise estava simplesmente errada. Eu escrevia num momento em que a resposta dos EUA à pandemia parecia muito mais caótica do que a estratégia eficiente de contenção adotada por Pequim, e presumi que isso poderia render à China uma espécie de dividendo pós-Covid.

Em retrospecto, a abordagem vacilante da América se mostrou mais eficaz do que a chinesa no longo prazo. A República Popular acabou se vendo presa numa armadilha de lockdowns permanentes que gerou toda sorte de danos sociais e econômicos.