Numa postagem nas redes sociais, uma usuária que se autodeclarava "esposa atípica", por ser casada com um autista nível 2 de suporte que teria sido diagnosticado havia pouco tempo, afirmou que o marido "entrou em crise, soltou palavrões, deu murro na parede e gritou". Não fica claro se as atitudes foram contra ela. Ela, porém, justifica o destempero dizendo que é preciso compreender a violência, uma vez que o homem havia entrado em crise, algo que seria inerente à condição neurológica dele.

De fato, segundo especialistas, autistas podem ter perda temporária de controle de algumas atitudes diante de sobrecarga sensorial, emocional, comunicacional. Uma desregulação pode envolver gritos, agressão, autoagressão ou destruição de objetos, mas a existência desse fenômeno não permite atribuir automaticamente ao autismo um comportamento violento.

Daí a importância, principalmente para crianças, das salas de descompressão, que têm ganhado mais espaço em ambientes públicos no Brasil. Nesses locais, autistas e pessoas com outras neurodivergências podem se organizar para fazer interações de forma mais tranquila.

O problema em tudo isso é quando se começa a misturar características de uma deficiência, seja ela física, intelectual, sensorial, com caráter, com valores morais e éticos. Agredir alguém numa discussão e, em seguida, sacar um laudo médico me parece bem pouco defensável.