* Por Letícia D’Angelo
Um cliente que precisa fechar um financiamento imobiliário já não necessita aguardar o horário comercial. Atualmente, ele recebe em segundos a simulação de parcelas, as condições e a confirmação de agendamento com um especialista. A disponibilidade ininterrupta é uma realidade. A questão que o mercado financeiro precisa responder agora vai além da funcionalidade: é realmente possível confiar em agentes de inteligência artificial para conduzir operações críticas com segurança? A resposta é afirmativa, desde que a implementação ocorra com critério.
Os chatbots tradicionais frequentemente geravam frustração devido às respostas padronizadas e à incapacidade de lidar com exceções. No setor financeiro, falhas no atendimento automatizado chegaram a expor dados ou comprometer transações. A chegada dos agentes autônomos, no entanto, alterou esse cenário. Diferentemente dos modelos anteriores, as novas soluções compreendem contexto, executam tarefas de forma independente e conectam-se a múltiplas plataformas. Essa autonomia amplia a superfície de risco, pois um sistema mal configurado pode causar vazamento de dados ou executar ações prejudiciais.
Para mitigar esses riscos, a adoção responsável exige três frentes. A primeira é a governança, que estabelece limites e regras de negócios sobre até onde o agente pode atuar de forma independente. A segunda refere-se à arquitetura. Plataformas com certificações ISO 27001, ISO 27701 e ISO 27018 garantem que os dados não sejam utilizados para retreinamento de modelos ou armazenados excessivamente. Práticas como ambientes isolados, permissões mínimas por função e auditoria contínua de registros de decisão reduzem drasticamente o risco de controle indevido do agente. A terceira frente é a supervisão humana ativa (o conceito de human-in-the-loop). Em transações críticas, como aprovação de propostas ou emissão de apólices, o agente mapeia e sugere caminhos, mas a validação e a decisão final permanecem sempre com o especialista.







