A inteligência artificial abre caminho. Não apenas em termos de avanços tecnológicos, estes são irrefreáveis e irreversíveis, mas em termos de ganhar musculatura própria e ocupar espaço, fora do controle humano. Foi o que aconteceu recentemente, quando um programa, colocado numa rede à prova de vazamentos e outras medidas de segurança simplesmente deu um jeito de encontrar a forma de seguir em frente, sair da rede fechada, invadir as redes abertas e chegar à conclusão de que a melhor maneira de atingir seus objetivos seria criar ataques hackers, bombardeando outros sistemas, o que ele fez com enorme competência.A era prenunciada pelo Chat GPT está se tornando mais complexa também para o mercado de seguros Foto: Kiichiro Sato/APPUBLICIDADEComo sempre, inicialmente, a empresa responsável informou que os danos tinham sido de pequena monta. Depois, reconheceu que não eram tão pequenos assim. O dado concreto é que nunca saberemos realmente o tamanho do que aconteceu e qual o grau de ameaça envolvido.Mas, como diria o caipira, que “haveu, haveu”. A coisa foi muito séria e, independentemente dos prejuízos, ficou claro que a inteligência artificial já é muito mais inteligente e independente do que imaginávamos. Ela consegue descobrir o caminho para fugir de um sistema fechado e ingressar nos sistemas abertos, e isso é a ficção científica feita realidade.Não há mais limite para a inteligência artificial avançar sozinha, sem precisar de ajuda humana e fora do nosso controle. A possibilidade das redes de computadores se conectarem e atuarem em conjunto, formando um supercérebro com poderes quase ilimitados, saiu das páginas de ficção para entrarem – arrombando a porta – no nosso dia a dia.PublicidadeSe os riscos da inteligência artificial já estavam fora dos parâmetros normalmente aceitos pelas seguradoras, agora a situação se tornou muito mais complexa. Seguro se baseia em pilares que determinam os limites possíveis de serem segurados. O primeiro é a identificação e, o segundo, a quantificação dos riscos. Como identificar riscos desconhecidos e como quantificá-los?O acidente acima agravou o dia a dia de investidores e empresas envolvidos com o tema. Como tocar um negócio cujo produto pode adquirir vontade própria e que eu não consigo identificar e determinar o dano máximo que ele representa? E como fazer o seguro deste negócio?O problema é extremamente complexo, até porque não há como se imaginar investimentos no setor se não houver a possibilidade de serem segurados. De acordo com projeções confiáveis, os prejuízos de todos os tipos causados pelos riscos cibernéticos já estão na casa dos trilhões de dólares por ano.Até agora, a inteligência artificial representa uma parcela mínima deste total. Mas o cenário está mudando muito mais depressa do que os próprios envolvidos com ela imaginavam possível. O começo do artigo não deixa dúvidas. O processo vai seguir acelerando e o final é completamente desconhecido.Com o desenho atual não é possível o setor de seguros oferecer as coberturas necessárias. Não há dados, nem capacidade financeira para fazer frente aos desafios. Provavelmente a solução passará pelo fatiamento dos riscos e das responsabilidades. Mas como será feito só o futuro dirá. Vale ler tambémReforma tributária corre risco de entrar em vigor sob a mesma lógica que destruiu o sistema anteriorGirassol Agrícola investe no plantio de eucaliptoAlto Escalão: contratações para diretorias comerciais dominam a semanaPublicidade