Ata do Copom deixa em aberto próximos passos em um ambiente de choque externos e medidas de estímulo por parte do governo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Galípolo, enquanto BC segue com o freio puxado, governo adotou medidas de estímulo — Foto: Montagem Mesmo com um cenário de Produto Interno Bruto (PIB) desacelerando nesse e no próximo ano, o Banco Central (BC) segue preocupado com o ritmo e o nível da demanda por bens e serviços no país. A inquietação é reforçada em um contexto de choques externos e de uma política fiscal que, segundo a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada hoje, ainda precisa se harmonizar com o quadro de juros apertados. Com essa percepção de que é preciso baixar ainda mais o nível de atividade econômica que o BC manteve seu tom cauteloso e justifica a opção por manter um processo bastante gradual de corte da taxa Selic. Na última reunião, ela foi reduzida novamente em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano. Em um contexto de choques externos, especialmente por causa da alta do petróleo, a preocupação do BC é justificada. Os impactos nos preços têm sido sentidos nos últimos meses e já empurraram o IPCA para cima do teto da meta neste ano e também colocaram o índice oficial previsto para 2027 substancialmente acima da meta de 3% (3,8% na conta do BC). Nas contas da autoridade monetária, a inflação volta a ficar ao redor da meta no primeiro trimestre de 2028, que está no seu “horizonte relevante” (período até onde a política de juros causa efeito). As menções à demanda aumentaram de seis para oito entre as duas últimas atas do Copom, evidenciando uma preocupação ainda forte com o ritmo da atividade econômica. E isso mesmo em um contexto no qual o mercado financeiro já enxerga um crescimento do país próximo a 1,5% no próximo ano, onde o efeito da política mais restritiva estará bastante intenso. Esse ritmo de 1,5%, se confirmado, vale mencionar, já é significativamente abaixo da capacidade de expansão da economia, que nas contas do BC (não publicizadas) seria algo em torno de 2% (o governo enxerga o potencial em 2,5%). E as preocupações com o risco de uma desaceleração mais forte na economia começam a aumentar tanto no setor privado como em segmentos do governo. No fim das contas, mesmo sem harmonia com política econômica do governo (que nesse ano adotou mais medidas de estímulo), o BC parece estar conseguindo empurrar o desempenho do país para onde deseja — ou pelo menos fazendo mercado e outros agentes acreditarem nisso. Por isso, vai precisar sopesar os riscos de não derrubar demais a atividade, que pode ser bastante danoso também para o país. Com uma inflação ainda com riscos e uma economia com sinais de perda de tração, não foi à toa que a autoridade deixou em aberto seus próximos passos.
BC mantém cautela com ritmo de demanda mesmo com cenário de PIB em desaceleração
Ata do Copom deixa em aberto próximos passos em um ambiente de choque externos e medidas de estímulo por parte do governo










