Colegiado afirmou que a incerteza acerca das projeções permanece acima do usual A atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação no crescimento, tal como antecipado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), disse a ata da última reunião, divulgada nesta terça-feira (23). O BC disse que, no primeiro trimestre de 2026, houve uma retomada da atividade econômica em relação ao final de 2025. Este movimento é “consistente” com projeções e expectativas de uma variação positiva do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, ainda que menor que em 2025. “O conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência.” Segundo a diretoria colegiada do Banco Central (BC), o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta. A ata disse que os efeitos da política monetária restritiva por período prolongado sobre a demanda agregada ainda se fazem sentir por meio da desaceleração do saldo de crédito, em particular de créditos livres. “A moderação e a própria heterogeneidade das trajetórias de crescimento entre diferentes setores e mercados são compatíveis com a política monetária em curso”, disse o BC. Segundo a autoridade monetária, os mercados mais sensíveis às condições financeiras apresentam maior desaceleração, enquanto que os mais sensíveis à renda apresentam maior resiliência. “Naturalmente, em momentos de inflexão no ciclo econômico, observam-se sinais mistos advindos de indicadores econômicos”, disse o BC. O colegiado do BC decidiu cortar a taxa Selic para 14,25% ao ano na última quarta-feira (17). Foi a 3ª redução consecutiva de 0,25 ponto percentual. No comunicado, o Copom havia dito que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta. O colegiado afirmou que a incerteza acerca das projeções permanece acima do usual. Disse ainda que as simulações atuais apontam que as taxas de inflação projetadas estariam situadas “abaixo da meta” para o primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante da próxima reunião do Copom, que será em 4 e 5 de agosto. O Copom defendeu o aprofundamento do debate sobre o mercado de trabalho para avaliar os “padrões” de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e os preços na economia e nota que o BC segue acompanhando detidamente o mercado de trabalho. A ata traz que a taxa de desemprego tem, recorrentemente, se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho. “O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia.” O colegiado afirmou que a incerteza acerca das projeções permanece acima do usual. Disse ainda que as simulações atuais apontam que as taxas de inflação projetadas estariam situadas “abaixo da meta” para o primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante da próxima reunião do Copom, que será em 4 e 5 de agosto. — Foto: Pexels/Pixabay