Com a queda, juros básicos estão no menor patamar desde março de 2025 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fachada do Banco Central, em Brasília — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil O Banco Central afirmou, em ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que há "influência relevante" de choques de oferta sobre a inflação, mas destacou que ainda há pressão relevante de demanda sobre a dinâmica de preços, exigindo que a política monetária continue restritiva. Na semana passada, o colegiado baixou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta vez consecutiva, reduzindo os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano. Ao longo do documento, o BC cita choques relacionados ao "petróleo e seus derivados", remetendo aos impactos do conflito no Oriente Médio, e aos efeitos climáticos sobre agricultura e custos de energia, em referência ao fenômeno El Niño. Segundo a ata, o BC avalia que não deve reagir aos efeitos primários de choques de oferta, mas é necessário "monitorar com atenção" eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem. Nesse contexto, o BC continuou sem dar qualquer sinalização sobre seus planos para as próximas reuniões, repetindo que vai avaliar a evolução dos dados para decidir o tamanho do ciclo de "calibração" da Selic, para manter um nível de "restrição adequada". "No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse Como vem fazendo ao longo do processo atual de queda dos juros, o BC não deu sinalização sobre seus planos para as próximas reuniões no comunicado publicado para divulgar o corte para 14%. Em um ambiente bastante volátil e incerto com guerra no Oriente Médio, eleições no Brasil e riscos derivados do El Niño, a estratégia do comitê para conduzir a política monetária com “serenidade e cautela” tem sido esperar a evolução dos dados até a reunião para tomar qualquer decisão. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o BC na quarta-feira passada. Por outro lado, o Copom alterou marginalmente sua avaliação sobre a atividade econômica e a inflação, após resultados mais favoráveis de índices recentes, assim como suas declarações sobre o desvio das expectativas inflacionárias em relação à meta de 3% - algo que se aprofundou nos últimos meses, principalmente em prazos mais longos, como 2028. Mas, como o comunicado foi mais sucinto, não deu muitos detalhes. Depois do comunicado, a maioria do mercado financeiro ficou dividida entre mais um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%, ou manutenção em 14%. No documento, o BC reconheceu, de maneira tímida, a melhora marginal em alguns indicadores, como o IPCA - indicador oficial de inflação - de junho (0,16%) e o IPCA-15 de julho (0,06%), que apresentaram surpresas favoráveis, sobretudo nos índices subjacentes, que indicam a tendência de inflação. A geração de vagas formais de emprego, segundo o Novo Caged, também deu mais confiança aos analistas econômicos sobre a desaceleração no mercado de trabalho. “O conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”, disse o BC, no comunicado. O colegiado, comandado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ainda disse que os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. Por outro lado, destacou que “monitora com atenção” a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos, “na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação”.