O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em decisão unânime. O movimento, o quarto consecutivo nessa magnitude desde março, quando a taxa estava em 15%, não trouxe surpresas e sugere a continuidade de um ciclo gradual de afrouxamento da política monetária.

O comitê evitou sinalizar seus próximos passos, limitando-se a reiterar que manterá a restrição adequada para levar a inflação a patamar ao redor da meta de 3% até o início de 2028.

A tarefa é árdua. O Banco Central projeta IPCA de 5,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.

Por sua vez, as expectativas de mercado, coletadas pela pesquisa Focus, permanecem muito distantes da meta, em 5% para este ano e 4,2% para o próximo. E a inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,64%, ainda supera o teto do alvo (4,5%), mas os dois últimos resultados do IPCA deram sinais de acomodação, inclusive na inflação de serviços.

Além disso, o balanço de riscos da inflação continua assimétrico para cima, segundo o comunicado. Na área externa, os conflitos no Oriente Médio podem trazer novos aumentos dos preços de energia. Há também a possibilidade de que o Federal Reserve, o banco central americano, eleve sua taxa de juros, pressionando o custo do financiamento global.