Juros x Inflação: Entenda a relação entre eles Crédito: Larissa Burchard/Laís NagayamaGerando resumoAo anunciar o corte de juros de 14,25% para 14%, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) mais uma vez se absteve de indicar claramente os próximos passos, ressaltando, em seu comunicado, o “significativo aumento da incerteza”, a desancoragem das expectativas e os “riscos elevados em torno do cenário base”.A indicação dos passos seguintes, sempre sujeita a muitas condições, foi uma prática mantida durante anos e abandonada, há algum tempo, diante da maior incerteza associada principalmente à instabilidade internacional, mas também, talvez em menor grau, à condução das contas públicas brasileiras. Desta vez, houve apenas a promessa de “manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.Sede do Banco Central, em Brasília Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilPUBLICIDADEInternamente, o dado mais positivo incluído no comunicado foi a “desaceleração recente” da inflação cheia, mas com expectativas de resultados ainda acima da meta. O documento menciona as projeções de 5% para 2026 e 4,2% para 2027, registradas na pesquisa semanal Focus. Essas expectativas são associadas, no texto do Copom, primeiramente a impactos potenciais de choques de oferta relacionados ao petróleo.Antes dessa passagem, os conflitos armados no Oriente Médio haviam sido citados no parágrafo inicial. Não há referência explícita à política externa americana, nem à intervenção militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. Mas a sombra do presidente Donald Trump é mais uma vez perceptível no cenário de insegurança mencionado num texto do Copom.O conjunto de riscos inclui, além da insegurança internacional, “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial”. Leia tambémTempo mostrou que BC fez ruído na comunicação, mas acertou ao seguir com cortes nos jurosJuros ainda altos: corte da Selic em meio a muitas incertezasDesbastada a linguagem típica desses documentos, fica bem clara a referência à política de gastos federais, especialmente nociva à estabilidade de preços quando as despesas são associadas a objetivos eleitorais. Tem mencionado, em Brasília, um possível esforço de ajuste em 2027. Seria a repetição de um procedimento costumeiro no início de um mandato presidencial. Falta verificar como estarão as contas públicas e o quadro inflacionário no final deste ano, o último do atual mandato.PublicidadeVale ler tambémO agro brasileiro já produz em escala. Agora pode ir além Reforma tributária: Qual será a alíquota do IBS e da CBS? O mercado já fez suas estimativasDos bytes aos átomos