Processos de milhares de brasileiros se arrastam por anos e a demora na fase de análise agora pode ser consultada, transferida e compartilhada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cenário clássico do centro do Porto, onde cidadania por residência demora 33 meses — Foto: Nuno Alberto/Unsplash/Divulgação Em nome da transparência e para fixar um registro público do andamento dos processos, a consultoria Cidadania e Visto criou uma ferramenta gratuita de acompanhamento das análises de cidadania em Portugal. A página funciona neste endereço eletrônico e surgiu como consequência do levantamento “A fila que não anda”: uma lentidão conhecida dos milhares de brasileiros com processos atrasados. Responsável pela área comercial da consultoria, Fábio Pereira explicou que a proposta é disseminar informação tornando pública uma situação vivida em particular por milhares de brasileiros. — A ideia é que estas informações, além de públicas, possam ser baixadadas e utilizadas pelas pessoas como quiserem — disse Pereira. A evolução dos pedidos de cidadania de Portugal feitos por brasileiros se arrasta como todos os serviços da administração pública relativos aos documentos de imigrantes. Quando consultado via e-mail, o IRN é obrigado a enviar um quadro com as fases de análise de cada categoria de pedidos, mas milhares de brasileiros nem sabem da hipótese. As informações, agora, ficam reunidas na página, que será atualizada mensalmente, segundo os organizadores da iniciativa: “(...) permite responder a uma pergunta que os quadros isolados não respondem: a fila andou?”. A resposta é: não ou lentamente. “Entre outubro de 2024 e junho de 2026, a fila da cidadania por casamento na Conservatória dos Registos Centrais (CRC) avançou dois meses em vinte meses”. A pesquisa revela divergências: “Filho de português que peça por transcrição espera 14 meses no Arquivo Central do Porto e 51 meses na CRC. Mesmo direito, mesmo artigo, filas independentes”. O pedido por tempo de residência de cinco anos, popular entre os brasileiros, passou de 22 meses para 26 meses em Lisboa e de 21 meses para 33 meses no Porto. “Analisamos cinco tipos de pedidos que concentram a maior procura: filho por transcrição, neto, casamento, judeus sefarditas e naturalização por tempo de residência”, informou a consultoria.