Apesar da melhora esperada no segundo semestre, a expectativa é de que 2026 termine com 20% a menos de negócios Foto: peopleimages.com/Adobe StockA Galápagos está otimista de que o mercado de fusões e aquisições irá mostrar recuperação no segundo semestre, com retomada de transações que tiveram um período de negociação maior, dado o cenário complexo no Brasil e no mundo. Segundo levantamento feito pela casa, houve uma queda de mais de 50%, para 300, nos anúncios de compra e venda de empresas nos primeiros seis meses do ano, o que contribui para uma aceleração nos negócios na segunda metade do ano, estatisticamente mais forte.PUBLICIDADE“Não vamos ter um ‘frenesi’, mas têm muitas coisas para acontecer”, diz o responsável pelo Banco do Investimento da Galápagos, Carlos Parizotto.Apesar da melhora esperada no segundo semestre, a expectativa é de que 2026 termine com um a quantidade menor de anúncios. “Como ‘good feeling’, a queda poderia ser uns 20% pelo menos”, acrescenta o sócio e diretor executivo de M&A, Fabio Brazzale. O cenário eleitoral é secundário para os executivos, podendo puxar os números um pouco para cima ou para baixo. Em 2025, foram anunciadas 1.322 transações no Brasil.Tecnologia, mídia e telecom aparecem como os setores mais ativos, com 102 operações feitas no primeiro semestre, e concentradas especialmente em tecnologia, que historicamente puxa os números de transações. Parizotto observa que energia e concessões são outras áreas de grande interesse nesse momento, pelo horizonte de investimento longo prazo, de 20 anos a 25 anos, menos sensíveis ao ciclo curto de juros.Taxa de juros inibe transaçõesAté aqui este ano, a taxa de juro constantemente elevada e a baixa atividade no mercado de ações, de cinco anos sem ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), estão inibindo o movimento no mercado de M&A, diz Parizotto. Segundo o executivo, as transações para crescimento e expansão perderam ritmo e o juro elevado tem trazido ao mercado mais transações por necessidade, para desalavancagem e melhora da estrutura de capital.PublicidadeEntre as médias empresas, para as quais o custo de levantar uma nova dívida está muito alto, uma das saídas têm sido a venda de uma participação minoritária, também compondo as estatísticas das transações de M&A, acrescenta Brazzale.O atual ambiente também trouxe mudança no perfil dos investidores, com maior participação de investidores estratégicos brasileiros, em detrimento dos financeiros, dado o custo do capital. Ainda o capital estrangeiro está mais presente, especialmente vindo dos Estados Unidos, do mundo árabe e da China, dizem os executivos.Estrangeiros ganham espaçoO levantamento da Galápagos mostra que o investidor estratégico brasileiro participou de 62% das operações no primeiro semestre, acima de 56% no mesmo intervalo de 2025, sustentado sobretudo por rodadas de venture e growth em dólar. Os estrangeiros, por sua vez, ganharam um espaço maior nas transações, ainda que discreto, mas saindo de 38% nos primeiros seis meses de 2025, para 40% no mesmo período deste ano, apesar da valorização do real - movimento que, em tese, encareceria ativos em dólar e reduziria o incentivo ao investidor externo.“O Brasil segue no radar global tanto por vantagens comparativas em setores específicos quanto, em parte, por uma busca por alternativas num cenário internacional considerado instável”, diz Parizotto. Ele menciona que os grandes grupos de engenharia e infraestrutura estrangeiros estão muito atentos a agenda das concessões e que tecnologia é um foco de atração, seja no segmento de Data Center ou no universo de softwares. “O Brasil oferece algumas condições geográficas interessantes e mostra disponibilidade de energia barata” acrescenta.Os números compilados pela Galápagos cruzam dados da Bloomberg, Capital IQ e Mergermarket, o que permite eliminar duplicidade de registro e oferece uma leitura mais robusta do mercado do que bases de fonte única, conta Brazzale.PublicidadeCom pouco mais de R$ 40 bilhões sob gestão, a Galápagos atua há 20 anos no mercado e opera atualmente nas verticais de banco de investimento, prestando assessoria para empresas em M&A e captação de recursos no mercado de capitais; wealth management, voltada à gestão de patrimônio de pessoas físicas, famílias e multifamílias; e asset management.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 10/08/2026, às 15:05A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.Vale ler tambémGênio da lâmpada: IA interpreta literalmente o que pedimos, sem levar em conta o que achamos óbvioRefinanciamento da Alloha alerta para dívida de provedores de internetA economia do tabu: é melhor regular ou taxar empresas como a Fatal?