A receita líquida de abril a junho teve um recuo de 1,7%, para R$ 3,3 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Americanas tem alta de 180% no prejuízo no 2º trimestre, mas vê operação melhor — Foto: Divulgação A Americanas teve um recuo de 1,7% na receita líquida de abril a junho, para R$ 3,3 bilhões, reflexo do descasamento da Páscoa, já que neste ano a data concentrou a venda no primeiro trimestre, e em 2025, ocorreu no segundo trimestre. No acumulado de janeiro a junho, que elimina esse efeito, a receita cresceu 7,8% frente ao ano anterior. As vendas “mesmas lojas”, de pontos em operação há mais de 12 meses, de janeiro a junho, cresceram 9,3%. A Páscoa é uma das datas mais importantes de vendas para a Americanas, por isso o mercado olha o desempenho da rede semestralmente. Confira os resultados e indicadores da Americanas e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 O prejuízo líquido aumentou 179,6%, para R$ 274 milhões de abril a junho, afetado pela piora do resultado financeiro do período, impactado pelo aumento dos juros. No semestre, a perda subiu 1,5%. Ao considerar apenas as operações continuadas da rede, que têm se desfeito de ativos por conta do processo de reestruturação após a recuperação judicial, o prejuízo cresceu 300% no segundo trimestre e 19% no semestre. A empresa afirma em seu material de divulgação de resultados que o ano passado foi impactado por efeitos extemporâneos relevantes que beneficiaram o resultado daquele período e afetam a base de comparação. Tratam-se de créditos tributários estaduais e federais e créditos de depósitos judiciais que entraram como efeitos positivos para o Ebitda da empresa, pois ampliaram a linha de outras receitas operacionais. O Ebitda mede lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação. Desconsiderando esses impactos de ambos os períodos (primeiro semestre de 2025 e de 2026), o crescimento do Ebitda ajustado (ex-IFRS 16) foi de R$ 251 milhões ano contra ano, o que, na visão da diretoria financeira, evidencia a evolução operacional entre os períodos. Segundo Sebastien Durchon, diretor financeiro e de relações com investidores, a atenção da companhia tem voltado o foco para o resultado operacional gerado via Ebitda ajustado excluindo extemporâneos, como créditos fiscais, que devem ser monetizados pela rede ao longo dos anos, mas que no momento não ajudam e entender claramente a evolução do negócio. “Esse resultado foi de um negativo de R$ 786 milhões no primeiro semestre de 2024, para um negativo de R$ 548 milhões na primeira metade de 2025 e reduziu para um negativo de R$ 297 milhões de janeiro a junho deste ano”, disse o diretor. “Nosso objetivo é voltar a uma geração de caixa sustentável, por isso nosso foco no operacional puro. Nós mostramos no balanço o crédito também, mas o fato é que nós temos que ganhar dinheiro com a operação, e é isso que queremos mostrar com essa abertura dos números”, afirmou Fernando Soares, CEO da rede. Em termos de fluxo de caixa, a empresa teve um caixa líquido aplicado (e não gerado) nas operações de quase R$ 400 milhões, e o montante cresceu 160% no primeiro semestre, com impacto de gastos de juros de arrendamentos. E houve uma redução de caixa (das operações continuadas) de R$ 619 milhões, aumento de 25% frente ao ano anterior. Em linhas gerais, isso ocorre porque o resultado operacional melhorou, mas ainda está negativo, logo, a operação consumiu caixa. Mas a rede afirma que determinados pagamentos extraordinários relevantes, como quitação de tributos parcelados e acordo fechado com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), afetaram o caixa pontualmente, mas não devem se repetir. No acumulado de 2026, o saldo da dívida bruta totalizou R$ 2,2 bilhões, um crescimento de 7,9% em relação a 2025. A dívida é composta integralmente pelas debêntures da 22ª emissão. As disponibilidades totais somaram R$ 1,1 bilhão, sendo R$ 500 milhões de disponibilidades e R$ 700 milhões em recebíveis de venda com cartões. Como resultado, no fim das contas, a rede apresentou uma dívida líquida de R$ 1 bilhão, comparada a um caixa líquido de R$ 488 milhões registrado ao final de 2025.