O Brasil tem eleições em outubro e há uma ideia no ar: podem os Estados Unidos interferir de alguma forma? Não seria caso único. A Europa debate o mesmo problema. Sim, a ameaça é real.

De certa forma, o que se vive hoje é uma Guerra Fria 2.0: o espaço de competição entre grandes potências passa por informação, tecnologia, sociedade civil e até por eleições.

A interferência eleitoral estrangeira é uma prática histórica documentada: sabe-se que aconteceu em Itália, em 1948; no Chile, em 1964; e recentemente nos Estados Unidos, em 2016, só para citar alguns exemplos.

Ela pode assumir várias formas: financiamento secreto, propaganda, apoio a organizações partidárias, ou operações clandestinas de desinformação, ciberataques ou mesmo a compra de votos.

A ingerência pode ser discreta, mas eficaz: muitas operações procuram condicionar preferências, reduzir a participação, favorecer ou desfavorecer candidatos, ou apenas lançar desconfiança sobre os processos eleitorais. As redes sociais vieram, nos últimos anos, dar uma ajuda poderosa a estas manobras.