Este espaço fala sobre literatura, então o foco está no escrever, mas se sinta à vontade e troque para qualquer outro ato em que haja o duelo caquético entre transpiração x inspiração, talento x trabalho, brilho divino x suor humano. O ponto: escrever é hábito. Simples, direto.
Inspiração é mito. Mito. M-i-t-o.
Muita gente me faz as mesmas perguntas. Como faço para escrever? De onde vem a inspiração, a criatividade? Como vencer a página em branco? Respondo a mesma coisa, que me foi ensinada muito tempo atrás. Escrever começa com o olhar, não com os dedos. Ao entender que tudo tem história e profundidade. A flor no jardim, balançando com o vento, não é apenas flor. Narra um caminho inteiro até chegar ali, é povoada por centenas de animais, é sol, chuva, será outras tantas flores no futuro. Poético demais? Não. Budista demais, talvez. (Obrigado por tanto, Thich Nhat Hanh.)
Lei número 1: pegue esse véu obtuso que cobre seus olhos e rasgue agora. O mundo não está tão idiota à toa.
Após observar, aí sim há como preencher alguma página em branco. Exercício diário, fluxo, sem trégua. Ninguém corre uma maratona treinando esporadicamente. Nem fica forte indo à academia vez em quando. Nem cozinha aventurando-se apenas no Dia das Namorados.










