Conflito têm esvaziado rapidamente os armazéns americanos e governo Trump já pressiona indústrias a aumentarem produção, mesmo sem pagamento previsto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Míssil lançado pela Guarda Revolucionária do Irã em conflito contra os EUA — Foto: SEPAHNEWS.COM / AFP O Pentágono tem pressionado líderes da indústria de defesa dos EUA a aumentar a produção e entrega de armas urgentemente, incluindo munições que estão em "escassez extrema" nos estoques das Forças Armadas do país devido à guerra contra o Irã, segundo um memorando oficial obtido pelo jornal The Washington Post e revelado neste sábado (8). Na quarta, o subsecretário do Departamento de Guerra, Steve Feinberg, teria entrado em contato com as principais fornecedoras de armamentos às Forças Armadas e dado um últimato: elas teriam no máximo 21 dias para elaborar e enviar ao Pentágono planos que "conduzam significativamente mais rápido e mais agressivamente as entregas programadas ou que aumentem a produção para capacidades críticas". "Ciclos de desenvolvimento de anos não são aceitáveis", teria escrito Feinberg em sua mensagem para indústrias. "Nós devemos acelerar dramaticamente nossa programação e expandir nossa capacidade de produção agora". O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, confirmou que o memorando de Feinberg "é real". "[O documento] servirá como base para o orçamento fiscal do ano de 2028 enviado ao Congresso para financiamento, e é completamente consistente com o nosso esforço contínuo de reconstrução da base industrial de defesa", justificou em comunicado. À rede americana ABC, ele ainda instistiu que esta é parte de uma ampla iniciativa de modernização anterior ao conflito de cinco meses com o Irã, e que o Pentágono estava focado em aumentar a aquisição de munições para fornecer "as armas que nossos guerreiros precisam no ritmo que a ameaça exige". Ele ainda garantiu que o contato direto com os líderes da indústria para acelerar produção não é novidade. "E tem sido a intenção clara do presidente e do secretário desde o início", argumentou Parnell ao jornal. Falta de armas tem sido uma fonte de tensão entre o presidente Trump e o Departamento de Guerra, teriam revelado duas fontes anônimas ligadas à situação ao Post. No entanto, o problema pode seguir sem solução enquanto o Congresso americano não liberar a tão desejada verba – de US$ 1,15 trilhão (R$ 5,85 trilhões) – para gastos de defesa, uma conta considerada grande demais pela oposição democrata. Publicamente, Trump vai na contramão: o presidente americano postou uma mensagem em sua rede, a Truth Social, na quinta em que garante que os EUA têm "quantidades enormes" de munição e que outras grandes remessas estão em produção e são entregues no país "conforme o necessário". Mas, em julho, lideranças de parceiras já tradicionais do Departamento de Guerra como a Lockheed Martin, a Northrop Grumman e a Boeing, além de start-ups de armas do Vale do Silício como a Anduril e a firma de análise de dados Palantir foram convocadas para uma reunião na Casa Branca, segundo três fontes ouvidas pelo jornal americano. Na conversa conduzida pela chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, pelo Secretário de Guerra, Pete Hegseth, entre outros membros de alto escalão do governo, estas empresas ouviram um pedido: que elas mesmas fizessem lobby e pressionassem parlamentares para que fosse aumentado o orçamento de defesa. Nos últimos meses, o governo de Trump já teria realizado uma série de acordos com lideranças do mercado de armas, mas as encomendas de munições de baixo custo e de armas mais sofisticadas defesa aérea, como os interceptadores de mísseis Patriot, só se tornarão contratuais quando o Congresso aprovar o pagamento. Apenas no primeiro mês da guerra contra o Irã, os EUA já dispararam mais de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk. Além disso, foram usados mais de 1.300 mísseis balísticos táticos nas primeiras semanas de conflito, estima o Post. E o conflito é mesmo a chave do desgaste dos estoques: o número global de mísseis Patriot caiu de 2.200 antes da guerra para menos de 827, apontou uma análise do think-tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) na semana passada. Com esta falta de munição e de sistemas de defesa abastecidos de interceptadores, o risco de vida para membros das Forças Armadas aumentou tanto que têm forçado a Casa Branca a evitar escaladas de ataques, apurou ainda o veículo. Enquanto isso, algumas empresas parceiras do Pentágono já gastam seu próprio dinheiro para financiar a produção de armamentos tão cobiçada pelo governo americano enquanto os contratos não saem, revelou Tom Karako, do CSIS. "[Mas] é um pouco uma aposta, porque eles estão se expondo... São empresas cujas ações são negociadas publicamente, [e nesta situação] você não deveria realmente se arriscar com base em uma promessa", afirmou ao jornal.
EUA correm o risco de ficar sem estoques de munição por causa de guerra contra o Irã, revela Pentágono
Conflito têm esvaziado rapidamente os armazéns americanos e governo Trump já pressiona indústrias a aumentarem produção, mesmo sem pagamento previsto















