Eleitores dos EUA também demonstraram pessimismo em relação ao preço da gasolina, que subiu após o conflito restringir o tráfego por Ormuz 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma faixa com a foto do presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado de um sistema de mísseis iraniano na Praça Azadi, em Teerã, Irã, em 30 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Cinco meses após o início da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, os americanos que acreditam que o Oriente Médio caminhará para mais caos superam em três para um aqueles que veem o conflito como um fator de estabilização da região, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos. O levantamento, realizado ao longo de seis dias e concluído na segunda-feira, terminou justamente quando o presidente republicano Donald Trump voltou a recuar da ameaça de lançar "ataques maciços" contra o Irã, reforçando a incerteza em torno de um conflito que ele inicialmente previu que terminaria com uma rápida vitória. Metade dos entrevistados afirmou acreditar que a ação militar americana contra o Irã desestabilizará o Oriente Médio ao longo do próximo ano — quase três vezes mais do que os 17% que disseram que a guerra trará mais estabilidade para a região. Outros 16% afirmaram que a situação permanecerá praticamente igual, enquanto 17% disseram não saber ou não responderam. Os americanos também demonstraram pessimismo em relação ao preço da gasolina, que subiu após o Irã restringir o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento mundial de petróleo. Ao todo, 58% disseram esperar uma piora nos preços dos combustíveis, enquanto apenas 15% acreditam que eles irão cair. Os entrevistados manifestaram preocupações semelhantes em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia. A maioria acredita que o conflito tende a se agravar nos próximos anos e também teme o surgimento de novas guerras em outras partes do mundo. Risco político Os resultados ressaltam os riscos políticos para Trump e seus colegas republicanos, que tentarão defender suas estreitas maiorias no Congresso nas eleições legislativas de novembro. Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, prometendo evitar "guerras estúpidas", uma mensagem que encontrou eco entre eleitores cansados das duas décadas de conflitos que se seguiram aos atentados da Al-Qaeda de 11 de setembro de 2001. Apesar do amplo apoio dos republicanos ao presidente, o partido mostrou divisões quanto aos efeitos da guerra contra o Irã. Enquanto 80% dos republicanos aprovam o desempenho de Trump na Presidência e 66% apoiam sua condução do conflito, menos da metade, 41%, acredita que a estabilidade no Oriente Médio melhorará no próximo ano em consequência da guerra. O conflito provocou ataques iranianos com mísseis e drones contra países vizinhos e embarcações comerciais, além de reacender confrontos no Líbano, cuja intensidade diminuiu após uma trégua mediada pelos Estados Unidos. Os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, também ameaçaram embarcações sauditas que atravessam o estreito de Bab el-Mandeb, no extremo sul do Mar Vermelho. David Schenker, que foi o principal responsável pelo Oriente Médio no Departamento de Estado durante o primeiro mandato de Trump, afirmou que os impactos econômicos podem persistir mesmo que os combates terminem rapidamente. Ele ponderou, porém, que não é certo que a guerra resulte em um Oriente Médio mais instável, argumentando que os ataques americanos e israelenses enfraqueceram significativamente a capacidade militar do Irã e sua rede de aliados na região. "Não há uma compreensão adequada do grau de deterioração das capacidades do Irã, que foi significativo", afirmou Schenker, atualmente pesquisador do Washington Institute for Near East Policy. A guerra, iniciada por Trump em conjunto com Israel no fim de fevereiro, custou pelo menos US$ 37,5 bilhões aos contribuintes americanos, matou 18 militares dos EUA e milhares de iranianos. Guerra impopular Apenas 35% dos americanos aprovam a guerra. Questionados sobre qual partido tem a melhor abordagem para lidar com guerras e terrorismo, os eleitores registrados apontaram os democratas à frente dos republicanos por 37% a 36% — a primeira vez que os democratas assumem a liderança desde que a Reuters/Ipsos passou a fazer essa pergunta, em dezembro de 2024, quando os republicanos lideravam por 39% a 28%. A pesquisa também mostrou que, pela primeira vez em cerca de uma década, os eleitores consideram os democratas mais aptos a administrar a economia. "Essa guerra era impopular desde o primeiro dia e ficou ainda mais impopular desde então", afirmou Justin Logan, diretor de estudos de Defesa e Política Externa do instituto Cato. Uma mulher caminha ao lado de um outdoor anti-EUA em uma rua de Teerã, Irã , em 3 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS. Segundo Logan, Trump enfrenta um dilema difícil: ao mesmo tempo em que estabeleceu objetivos ambiciosos para o conflito, de destruir a capacidade de mísseis do Irã e de impedir definitivamente que o país obtenha uma arma nuclear, mas ao mesmo tempo procura limitar as baixas americanas e os custos políticos associados. "Essa incoerência, ou falta de rumo, na condução da guerra está criando mais problemas para o presidente", disse. Preocupação com Ucrânia e China A pesquisa também constatou que os americanos estão preocupados com a possibilidade de agravamento dos conflitos em curso e do surgimento de novas guerras. Ao todo, 58% disseram temer que a guerra entre Rússia e Ucrânia, na qual Washington e aliados europeus apoiam Kiev com armas e inteligência, piore. Outros 55% afirmaram estar preocupados com um eventual conflito entre China e Taiwan, enquanto 48% temem uma guerra entre a Rússia e outro país europeu além da Ucrânia. Já 37% disseram recear que os Estados Unidos entrem em guerra por causa da Groenlândia. A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada pela internet com 4.505 adultos em todo o território americano e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.