O ato de hostilidade diplomática contra o Estado brasileiro, dirigido a Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil em Washington, manchará o histórico das relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos. Trata-se de uma medida desnecessária e agressiva, que busca forçar o nosso país a se render ou a se submeter.

Washington chamou a medida de "reciprocidade", alegando morosidade brasileira em conceder o "agrément" (aprovação) ao indicado de Donald Trump para a embaixada em Brasília, Daniel Perez.

A embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, participa de Assembleia Geral da ONU, em Nova York - Rick Bajornas - 11.nov.22/UN Photo

Formalmente, não é expulsão: Viotti segue investida no cargo. Mas é preciso chamar as coisas pelo que são —é uma expulsão branca. Seu visto de múltiplas entradas foi rebaixado a entrada única: se deixar os EUA, não poderá retornar para exercer suas funções. É esse o mecanismo concreto por trás da retórica de "reciprocidade" —e o seu desenho sugere cálculo defensivo: Washington parece precaver-se contra a possibilidade de Lula retirá-la em resposta à escalada de ingerência americana, gesto que, partindo do Brasil, exporia o governo Trump internamente.