[RESUMO] Nos últimos anos, em um misto de fascínio e pânico, vimos as inteligências artificiais nos superarem em inúmeras modalidades de conhecimento, da produção de textos a desafios de matemática. Caminhamos para uma derrota definitiva para o pensamento humano? Neurocientista explica o que distingue o aprendizado e a produção de conhecimento em pessoas e máquinas.

Papagaio estocástico foi o apelido que pegou. Os LLMs (grandes modelos de linguagem) encadeavam palavras com desenvoltura e fracassavam no raciocínio mais elementar.

No final de 2024, porém, esses sistemas passaram a ser treinados com as técnicas que levaram a IA da DeepMind a vencer o campeão mundial de Go, o milenar jogo de tabuleiro mais complexo que xadrez. Tudo mudou. A máquina foi ultrapassando os humanos nos exames de direito, medicina e engenharia e chegou em 2026 resolvendo em série os problemas deixados em aberto pelo matemático húngaro Paul Erdos.

Fora dos ambientes controlados, a distância permanece enorme. A inteligência humana é um conjunto de adaptações para o aprendizado contínuo por exemplos escassos, socialização e antecipação do futuro. Essas condições propiciaram o surgimento de múltiplos planos de entendimento, alguns com palavras e outros sem nenhuma, e uma capacidade singular de modificar o real, do qual toda abstração se deriva.