O nome do pai da técnica em enfermagem Evelin da Silva Lemos, 51, só apareceu em sua certidão de nascimento em junho de 2026. "Nunca me importei muito. Meu pai também não. Até que, um dia, meu filho, que sempre se incomodou com isso, me cobrou: 'por que você não coloca logo o nome do meu avô?'."
"Meu filho também queria ter o nome do avô. Eu pensei: e agora? Como vou abordar esse assunto com meu pai? Nunca havíamos falado sobre isso. Foi algo que deixamos de lado", diz.
O pintor Salvador Tomé da Silva, 77, não estava presente quando Evelin nasceu. "Ele não aceitou a gravidez da minha mãe. Na época, ele era alcoólatra. Sumiu por uns tempos. Depois, reapareceu. Minha mãe morreu quando eu tinha sete anos. Fui criada por meu avô materno", diz.
Salvador acabou nunca registrando a filha, embora morasse perto dela e tenha participado de parte de sua criação em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde a família vive até hoje. "Quando perguntei, para minha surpresa, ele aceitou na hora e falou que já estava pensando sobre o assunto havia muito tempo."
Ela recorreu ao Poupatempo, órgão de produção de documentos em São Paulo. Foi orientada a procurar o Ministério Público. Com a anuência de Salvador, a nova certidão ficou pronta em pouco mais de um mês. "Ficamos muito felizes quando chegou. Fui correndo para trocar no RG também", diz.













