Heloísa entrou na Justiça para retirar dos registros civis qualquer menção à maternidade de Patrícia. A jovem, que mudou oficialmente de nome após nascer como Larissa, afirma que deseja romper definitivamente os vínculos com uma relação que classifica como traumática. Segundo ela, ter de informar o nome da mãe em hospitais, cadastros e documentos faz com que reviva lembranças dolorosas. Durante entrevista por telefone, Patrícia disse não se opor ao pedido da filha para retirar seu nome dos documentos. "Por mim tudo bem, ela sempre quis isso", afirmou. Questionada sobre o motivo do rompimento, Patrícia respondeu que os conflitos começaram quando a filha ainda era criança. "Ela quis, ela inventou uma história sobre mim e minha mãe para querer morar com o pai dela", declarou. Acusações rejeitadas Entre os relatos apresentados por Heloísa está a acusação de que a mãe teria colocado fogo na cama onde ela estava quando tinha cinco anos. Ao ser confrontada sobre o episódio, Patrícia negou. "Uma pessoa de cinco anos vai lembrar disso? Pelo amor de Deus!", disse. Em seguida, admitiu que um cigarro pode ter provocado um incêndio acidental no colchão. "Eu estava fumando e deixei o cigarro cair na cama." Patrícia também rejeitou as acusações mais graves feitas pela filha, segundo as quais teria recebido dinheiro de homens que abusavam sexualmente dela e das irmãs. "Quem é a mãe que vai vender a filha por 50 reais, 20 reais? Isso daí é invenção da Larissa", afirmou. Denúncias e investigação Os relatos de Heloísa apontam para um histórico de denúncias iniciado ainda na infância. Documentos do Conselho Tutelar registram que, aos 11 anos, ela procurou ajuda para relatar agressões contra ela e os irmãos. Anos depois, uma denúncia publicada nas redes sociais levou o Ministério Público a investigar casos de violência sexual. Dois homens citados por ela foram julgados e condenados em primeira instância. À época, Patrícia foi ouvida apenas como testemunha. Em 2025, Heloísa apresentou uma nova denúncia contra a mãe, desta vez por violência doméstica, conivência com abusos sexuais e perseguição. A Justiça concedeu medida protetiva determinando que Patrícia mantenha distância mínima de 500 metros da filha. O caso é investigado pela polícia. Segundo o inquérito, a mãe ainda não havia sido ouvida formalmente porque não foi localizada pelas autoridades. Disputa na Justiça No ano passado, Heloísa conseguiu autorização judicial para alterar o prenome de Larissa para Heloísa e retirar o sobrenome materno. O pedido para eliminar completamente o nome da mãe dos registros, porém, foi negado. Na decisão, o magistrado reconheceu a gravidade dos abusos relatados, mas entendeu que não há previsão legal para apagar a maternidade dos registros civis. A defesa de Heloísa recorreu e aguarda nova análise do caso. Hoje formada em Biomedicina, estudante de Ciências Econômicas e funcionária de um banco, Heloísa afirma que a retirada definitiva do nome da mãe representa uma etapa importante de reconstrução da própria vida. "Quero me livrar disso", disse. O relato da jovem que trava batalha judicial para retirar nome da mãe de todos documentos — Foto: Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.