Um espanhol e um brasileiro assinam este artigo: um deles, com fartos motivos para estar satisfeito com o futebol. O outro, com razões para estar decepcionado: dias antes de testemunhar a eliminação brasileira da Copa do Mundo, viu seu time do coração firmar um contrato multimilionário com uma conhecida plataforma de conteúdo adulto —cujos proprietários detêm, também, um site de acompanhantes.

Tendo imposto restrições ao acordo, o Corinthians não escapou às reações. Assim o caso foi narrado ao autor europeu: é como se, findos os festejos pelo triunfo mundial da seleção espanhola, o Barcelona, dono da segunda maior torcida do país, passasse a ostentar em seus uniformes —e, portanto, nos estádios, na TV, na internet— a logomarca de uma empresa que promove a pornografia e a prostituição.Pelo mundo afora, a idade da primeira exposição a conteúdo sexualmente explícito caiu vertiginosamente nas últimas décadas: na Espanha, dados oficiais falam em 11 anos, em média; no Brasil, pesquisas apontam que ocorre por volta dos 12 anos, com frequentes relatos de casos ainda mais precoces. Trata-se de mais um fenômeno atribuído à internet: o que antes estava sob a guarda dos donos de bancas de jornais ou restrito a horários tardios de televisão, hoje está à distância de um clique. Que as empresas que lucram com esse tipo de conteúdo, porém, passem a ocupar, sem qualquer pudor, os uniformes que dão vida à paixão de milhões de brasileiros é um problema ainda mais grave.