Como o dinheiro não é infinito, mesmo nos países desenvolvidos, se alguma área é inundada com recursos, outra fica à míngua. O aumento expressivo dos investimentos militares nos últimos anos teve, em contrapartida, uma redução exponencial do dinheiro aplicado em saúde e programas humanitários. A prevenção e o tratamento da Aids fazem parte dessa lista. Com 1,2 milhão de novos casos e 570 mil óbitos registrados no ano passado, o combate à doença, após um período de redução progressiva desde 2010, vive nos últimos três anos um momento de estagnação que preocupa médicos e especialistas em saúde pública.

Desde 2010, as novas infecções pelo HIV caíram 42% e as mortes, 57%. Segundo o Programa das Nações Unidas para HIV e Aids (Unaids), houve, porém, uma desaceleração do ritmo de diminuição de casos – foram 1,3 milhão de novos soropositivos tanto em 2023 quanto em 2024 –, o que torna impossível cumprir a meta de reduzir as novas ocorrências em 90% e tirar a Aids da lista de ameaças à saúde pública até 2030. Na raiz dessa desaceleração está o congelamento do apoio dos Estados Unidos, responsáveis por 75% do financiamento internacional para o combate ao HIV até o comeback de Donald Trump à Casa Branca em 2025. Desde então, o apoio externo a países de baixa e média renda caiu 18% e afetou serviços primordiais de prevenção, entre eles testagem, distribuição de medicamentos e preservativos, e programas de esclarecimento comunitário.