Recentes decisões do ministro do STF têm sido vistas pela PF como tentativa de interferência no trabalho da corporação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Wellington César Lima, ministro da Justiça — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil O ministro da Justiça, Wellington César Lima, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, se reuniram nesta manhã com o ministro André Mendonça em seu gabinete no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o momento de tensão e desconfianças entre o gabinete e a Polícia Federal (PF). O encontro foi intermediado por Messias para tentar distensionar a relação entre as instituições. No mesmo dia, os 27 superintendentes da Polícia Federal divulgaram uma nota em apoio à direção da corporação e defendendo a autonomia e independência do órgão. Nos bastidores há um mal-estar entre Mendonça, que é responsável pelas investigações do caso Master e da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de aposentados do INSS, e o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Leia mais Segundo apurou o Valor, do lado de Mendonça há um mal-estar com a proximidade de Rodrigues com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a forma como o diretor-geral possui interlocução direta com o presidente em várias ocasiões, falando com o petista sem passar pelo ministro da Justiça. Também há um incômodo com a forma como o delegado que cuidava das investigações sobre fraudes no INSS foi trocado após o caso avançar sobre Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula e conhecido como Lulinha. Após a troca no comando do caso, a PF pediu abertura de três novos inquéritos envolvendo Lulinha que foram distribuídos no STF, sendo que dois deles acabaram ficando com Mendonça e outro foi remetido ao ministro Flávio Dino. Os três inquéritos correm sob sigilo. Na PF, por sua vez, há incômodo com recentes decisões de Mendonça que em sido vistas como uma tentativa de interferência no trabalho da corporação. Incomodaram mais as decisões que obrigavam a PF a remeter ao Supremo todas as peças das investigações da Operação Sem Desconto e a de que o ministro deveria ser comunicado previamente de qualquer decisão de eventual afastamento ou troca de delegados responsáveis pela condução dos casos da operação. A corporação chegou a acionar a AGU para questionar as medidas por entender que seriam uma interferência indevida no trabalho e na gestão da corporação. Antes dessas decisões, a PF também havia ficado incomodada com a primeira determinação de Mendonça ao assumir a operação Compliance Zero e determinar que as informações sigilosas sobre a investigação não fossem compartilhadas internamente com a chefia da PF e ficasse restrita às equipes que estão à frente do caso. A medida foi vista como uma forma de atingir diretamente o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e causou mal-estar pois a chefia da corporação entende que é necessário o compartilhamento de informações até para a melhor gestão das operações conduzidas pela PF. Neste caso, porém, a corporação não acionou a AGU.