O ministro Wellington Lima e Silva garantiu ao ministro do STF que a PF conduzirá investigações com completa autonomia e que o governo tem agido sem seletividade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro André Mendonça em sessão plenária do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça cobrou que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, garantisse a independência da Polícia Federal (PF) para atuar em investigações. Em troca, Lima e Silva, que é o chefe hierárquico da PF, garantiu ao ministro que a corporação conduzirá investigações com completa autonomia e que o governo federal tem agido sem seletividade. Leia mais Conforme apurou o Valor, a conversa ocorreu durante uma reunião realizada na manhã desta quinta-feira (6). Segundo interlocutores de ambos, o encontro foi produtivo e serviu para pacificar o entendimento de que não há motivo para uma crise entre as equipes de investigação e o gabinete do ministro. O encontro, que foi articulado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que também esteve presente, ocorreu em uma tentativa de aliviar a tensão entre o STF e a PF, após a corporação manifestar preocupação com algumas questões levantadas por Mendonça em investigações que estão sob sua responsabilidade, como as do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e das fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Como encaminhamento, Lima e Silva e Mendonça concordaram em manter as equipes em contato por meio de reuniões para melhorar o fluxo das apurações. Segundo apurou o Valor, do lado de Mendonça houve uma estranheza com alguns movimentos administrativos da PF envolvendo as investigações do INSS, como trocas sucessivas nas equipes de investigações e o uso de dados oriundos de quebras de sigilo autorizadas pelo ministro para pedir a abertura de novos inquéritos sem que eles tivessem retornado ao gabinete. Também houve ressalvas em relação à forma como o delegado que cuidava das investigações do INSS foi trocado após o caso avançar sobre Lulinha. Após a troca no comando do caso, a PF pediu a abertura de três novos inquéritos envolvendo o filho do presidente da República que foram distribuídos no STF, sendo que dois deles acabaram ficando com Mendonça e outro foi remetido ao ministro Flávio Dino. Os três inquéritos correm sob sigilo. Na PF, por sua vez, há incômodo com recentes decisões do ministro que tem sido vistas como uma tentativa de interferência no trabalho da corporação. Incomodaram mais as decisões que obrigavam a PF a remeter ao Supremo todas as peças das investigações da Operação Sem Desconto e aquela segundo a qual o ministro deveria ser comunicado previamente de qualquer decisão de eventual afastamento ou troca de delegados responsáveis pela condução dos casos da operação. A corporação chegou a acionar a AGU para questionar as medidas por entender que seriam uma interferência indevida no trabalho e na gestão da corporação. Superintendentes defendem direção PF Mais cedo, os 27 superintendentes da Polícia Federal divulgaram uma nota em apoio à direção da corporação e em defesa da autonomia e independência do órgão. Nos bastidores, a nota serviu para dar volume ao clima de tensão entre o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e Mendonça. “O debate público e as críticas legítimas são próprios da democracia, mas não quando voltados ao enfraquecimento da credibilidade e da confiança que a sociedade deposita nas instituições republicanas. Nesse contexto, os 27 Superintendentes Regionais da Polícia Federal vêm a público reafirmar sua confiança na Direção da Polícia Federal e seu compromisso com a defesa da Constituição, da democracia, da legalidade e do interesse público, bem como com a preservação de uma Polícia Federal forte, técnica, independente e fiel à sua missão institucional”, afirmava a carta. Ministros do STF, no entanto, consideraram como “grave” a carta conjunta e afirmaram que a intromissão nas atividades dos investigadores é considerada indevida.
Mendonça cobra independência da PF em reunião com ministro da Justiça
O ministro Wellington Lima e Silva garantiu ao ministro do STF que a PF conduzirá investigações com completa autonomia e que o governo tem agido sem seletividade












