0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Da esquerda para a direita: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça — Foto: Brenno Carvalho/O Globo O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, saiu da reunião com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que comanda as investigações do caso do Banco Master e o do INSS, com uma missão: reunir-se com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, nos próximos dias para tentar chegar a um acordo entre eles. Segundo o que ficou combinado entre Wellington, Messias e Mendonça, o ministro da Justiça vai buscar definir com o chefe da PF as condições necessárias para preservar o trabalho dos policiais sem criar ruídos com o relator das investigações. Toda essa costura foi realizada às pressas nesta quinta-feira, depois que os 27 superintendentes da PF nos estados divulgaram uma nota em que defendem a “credibilidade” e a autonomia da corporação, destacando que “a atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”. A nota foi uma reação dos superintendentes a medidas tomadas por André Mendonça no âmbito dos dois inquéritos que ele comanda, da determinação de que os agentes e delegados não repassassem informações sobre as investigações aos superiores hierárquicos à ordem para que os dados brutos captados durante a apuração sobre o INSS fossem enviados ao STF. Nos bastidores, interlocutores de Mendonça já vinham dizendo que tais providências eram consequência de desconfianças sobre a atuação de Andrei, que começam pelo fato de ele ter sido um dos participantes da noite de uísque e charutos promovida pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, em Londres. Mais recentemente, o fato de o senador Jaques Wagner (PT-BA) ter pedido uma audiência a Mendonça no mesmo dia em que a PF pediu autorização para a operação contra ele no caso Master despertou suspeitas de vazamento, expressas na decisão do próprio ministro. Imagens publicadas pelo GLOBO mostraram que nesse mesmo dia Wagner e o diretor-geral da PF tiveram uma conversa de pé de ouvido em um evento no Palácio do Planalto, o que ajudou a aumentar as suspeitas. Há meses, também, Mendonça se queixava a interlocutores de ruídos na investigação do INSS. A troca do delegado do caso, com o envio para uma outra coordenação da PF sem comunicação a ele, também foi interpretada como uma tentativa de esvaziar a investigação. Outro foco de insatisfação foi a demora no envio do relatório sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no âmbito das investigações do caso do INSS. O sigilo foi quebrado em janeiro deste ano e os relatórios só foram enviados no final de julho após cobrança do próprio ministro. O fato de que eles pediam o desmembramento dos casos de Lulinha do INSS e a redistribuição para outros ministros também foi entendida como tentativa de tirar a apuração do gabinete de Mendonça. Desconfiança mútua Esse último movimento mostra que a desconfiança é mútua. No final de julho, Rodrigues enviou um ofício à Advocacia-Geral da União (AGU) pedindo que o órgão encontre um "remédio judicial" para rebater algumas das providências determinadas por Mendonça que, para ele, representariam uma intervenção indevida na independência funcional da corporação. Entre elas estão o prazo de de 60 dias para os policiais concluírem a análise de todo o material apreendido, a juntada de todos os atos da investigação ao gabinete do ministro, incluindo os dados brutos das apreensões, e o aviso prévio obrigatório ao gabinete quando houver afastamento de policiais da equipe de investigação, que também foi vista pela PF como ingerência na gestão. Na PF, a ação de Mendonça também tem sido apontada como ideológica. Interlocutores da corporação se queixam do trancamento de duas investigações sobre o hoje ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) em 2024, que apuravam crimes de corrupção e peculato ligados a desvios na Fundação Leão XIII, do governo do estado. Comparam, ainda, o tempo que Mendonça levou para aprovar a busca e apreensão sobre o ex-governador do Rio no caso Master – dois meses e meio – com o da realizada sobre Jaques Wagner – nove dias. Mendonça também estaria represando ações contra integrantes do Centrão já pedidas há algumas semanas. É nesse contexto que devem ser lidos trechos como o que diz que a atuação da PF é independente e “orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico”. Nas palavras de dois superintendentes ouvidos pela equipe da coluna, a gota d'água para a nota foi a decisão do ministro Mendonça de determinar o envio ao STF dos dados brutos. Mas a crise vem sendo gestada há meses. E não será fácil para o ministro da Justiça pacificar os ânimos.
Master e INSS: Ministro da Justiça vai tentar acordo entre Mendonça e diretor-geral da PF
Master e INSS: Ministro da Justiça vai tentar acordo entre Mendonça e diretor-geral da PF











