É curiosa a relação dos homens com a cozinha. Os grandes chefs profissionais, historicamente, eram homens. Mas na cozinha de casa raros ousavam pisar (uso verbos no passado na esperança de que as coisas estejam mudando). Assim, sempre sobrou um terceiro espaço culinário para o homem comum ocupar com vontade e prazer: a churrasqueira.

Há algo de primal em domar o fogo e assar grandes nacos de carne. É fácil imaginar o apego masculino à brasa, que atravessa os séculos, como forma de reconexão com os antepassados responsáveis por alimentar a prole com base na própria expertise sobre caça e fogo. Mas, tantos anos depois, seria bom ver os homens em ação para além desse momento divertido do fim de semana (lembrando que há grandes mulheres churrasqueiras domando o fogo).

Algumas das minhas melhores memórias de infância são dos churrascos que meu pai fazia aos domingos. A carne não parava de sair da brasa entre 12h e 15h, deixando todo mundo com lábios gordurosos e pancinhas felizes. Como homenagem a ele e a tantos pais que se esmeram em cortar pedacinhos para as mais desdentadas crianças, resolvi focar a churrasqueira para sugerir os vinhos deste Dia dos Pais.

Embora os brancos estejam em alta e o churrasco hoje aceite casamentos com todos os estilos de vinho, decidi focar os tintos, combinação clássica com as carnes que mais vão ao fogo. Também selecionei rótulos vendidos em mercado, assim quem deixar a compra para a última hora não fica de taça vazia.