Abelardo De La Espriella, que toma posse nesta sexta-feira, prometeu retomar a exploração de petróleo e gás e poderá recorrer a decretos para simplificar e acelerar os processos de licenciamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, discursa durante uma cúpula de segurança com prefeitos e secretários de segurança das principais cidades colombianas, antes de sua posse em 7 de agosto em Cali, em Barranquilla, Colômbia, 4 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Charlie Cordero Empresas de mineração e petróleo estão dispostas a investir bilhões de dólares na Colômbia após quatro anos de paralisação na exploração de novas áreas, mas o governo que toma posse precisa agir rapidamente para remover obstáculos regulatórios e de segurança, disseram executivos do setor e analistas. O presidente eleito de direita, Abelardo De La Espriella, toma posse nesta sexta-feira, substituindo o esquerdista Gustavo Petro, que proibiu novos contratos de exploração de hidrocarbonetos e entrou em conflito com multinacionais do setor de carvão. Espriella prometeu retomar a exploração de petróleo e gás e poderá recorrer a decretos para simplificar e acelerar os processos de licenciamento, incluindo as consultas públicas. Essa estratégia, porém, envolve riscos jurídicos. Outras medidas defendidas pelo setor — como aprovar parâmetros técnicos para o fraturamento hidráulico (fracking), alterar o sistema de royalties, modificar a estrutura dos contratos e criar incentivos tributários — dependerão da aprovação de um Congresso dividido, onde o novo presidente enfrentará oposição do partido de Petro. "Precisamos destravar todos os gargalos relacionados às consultas prévias, às decisões administrativas e aos atrasos no licenciamento ambiental", afirmou Luz Stella Murgas, presidente da associação colombiana do setor de gás natural, Naturgas. Entre os principais projetos do setor está o campo offshore Sirius, no Caribe colombiano, desenvolvido em parceria pela estatal Ecopetrol e pela brasileira Petrobras. A produção está prevista para começar em 2030, mas o projeto ainda depende da conclusão de 120 consultas prévias com comunidades locais. Entre 2023 e 2025, o investimento estrangeiro em mineração e petróleo caiu 34%, para cerca de US$ 6,9 bilhões. No mesmo período, a produção de petróleo da Colômbia recuou 4%, para uma média de 746 mil barris por dia, enquanto as reservas de petróleo diminuíram em 54 milhões de barris. Já as importações de gás natural passaram de 3% para 31% do consumo doméstico, segundo dados da indústria. A segurança também continua sendo uma das principais preocupações. A Associação Colombiana do Petróleo (ACP) informou que foram registrados 580 ataques e bloqueios contra a infraestrutura petrolífera em 2025, causando prejuízos superiores a 2,4 trilhões de pesos (cerca de US$ 749 milhões). "As medidas precisam ser abrangentes, firmes e rápidas", afirmou o presidente da ACP, Frank Pearl. "Se faltar uma das variáveis fundamentais para um ambiente favorável aos investimentos, ele deixará de ser atrativo e poderemos perder esses recursos." Nelson Castañeda, presidente da associação do setor Campetrol, também defendeu uma ação urgente do governo, destacando que "cada decisão tomada hoje terá reflexos daqui a cinco, dez e quinze anos". Bilhões de dólares em investimentos parados Na mineração, a Colômbia tem cinco projetos de ouro, cobre, carvão e níquel que já concluíram a fase de exploração ou obtiveram licenças, mas ainda não avançaram para a construção devido à insegurança jurídica e política durante o governo Petro, afirmou Juan Camilo Nariño, presidente da Associação Colombiana de Mineração. "Os investimentos estão prestes a se concretizar e podem chegar a entre US$ 3,6 bilhões e US$ 4 bilhões nos próximos quatro anos", disse Nariño. Bombas de extração de petróleo em um campo petrolífero da Ecopetrol em Barrancabermeja, Colômbia, em 11 de outubro de 2024 — Foto: REUTERS/Nelson Bocanegra/Foto de Arquivo Segundo a consultoria Colombia Risk Analysis, as tentativas de acelerar os processos de licenciamento provavelmente enfrentarão contestações judiciais. "Não haverá um caminho jurídico viável para simplificar, acelerar ou eliminar as consultas prévias", afirmou a consultoria.