Digo "bom dia" a toda pessoa que cruza o meu caminho. Talvez eu me inspire no meu pai, que perguntava de manhã a quem encontrasse: "Bom dia, flor do dia, tomou banho de bacia de água fria na casa da sua tia?"

No interior, todos respondem. Na cidade, a grande maioria. Se for um segundo depois do meio-dia, passa a ser boa tarde, e muita gente me corrige se ainda digo bom dia.

Um segundo depois das seis da tarde, vira boa noite. Me pergunto se aqueles que corrigem ficam aguardando o ponteiro do relógio cravar a hora de mudar para repreender quem erra a saudação.

Um grupo considerável não responde: os jovens. Que também não dizem "obrigado". Numa pesquisa global da Ipsos, 70% dos jovens preferem resolver interações via texto e evitam conversa por voz.

Desconfiança? Ocupados numa realidade paralela, marcada pelos traumas do isolamento social da pandemia? Fones de ouvido? Sinapses em curto por conta da desconcentração causada pelas redes sociais?