A reunião de emergência dos países-membros da União Europeia sobre a crise em Ceuta deveria encerrar com uma mensagem de solidariedade à Espanha, nesta terça-feira (4). Ela veio, mas com um recado sobre a política de regularização de imigrantes do país. "Não é um bom sinal para o resto da Europa", declarou Magnus Brünner, chefe de imigração do bloco.

"Entendo que a Espanha fez isso porque se trata, principalmente, de latino-americanos que falam a mesma língua e compartilham a mesma cultura. Mas o recado para o resto da Europa não é nada bom. Definitivamente, não é", disse o representante da Comissão Europeia quase ao fim da entrevista que concedeu em Bruxelas após o encontro.

Até então, Brünner tinha tomado cuidado com as declarações, evitando qualquer tipo de endosso ou crítica à ofensiva capitaneada por Itália e Dinamarca contra a iniciativa do governo Pedro Sánchez. Segundo o comissário, o assunto nem foi abordado durante a reunião, realizada por videoconferência.

Só que, nas entrelinhas de uma carta assinada por 22 países no fim de semana, a crise no exclave espanhol no norte da África era consequência direta do propalado estímulo à imigração ilegal, produzido pela política do líder socialista, exceção na Europa.