O pedido foi feito por 22 países-membros em uma carta enviada à Irlanda, país que detém a presidência rotativa do bloco, solicitando uma resposta coordenada, incluindo possível apoio adicional da agência de fronteiras da UE, Frontex, e uma revisão da cooperação com Marrocos. O documento destaca que as travessias representam um desafio à fronteira externa da UE e correm o risco de incentivar ainda mais a imigração ilegal. França, Luxemburgo e Portugal não assinaram a carta, assim como Espanha e Irlanda. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, faz declarações em Ceuta — Foto: REUTERS/Fabian Bimmer O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apoiou a convocação da reunião, que juntará ministros do Interior dos países europeus, mas criticou os governos que defenderam a exclusão da Espanha da área de livre circulação de Schengen. "No atual contexto internacional, a UE não pode se dar ao luxo de ter esse tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal", condenou Sánchez. Espanha diz que situação em Ceuta já volta ao normal Policiais e soldados espanhóis escoltam um grande grupo de migrantes até a fronteira para retirá-los da Espanha — Foto: REUTERS/Jon Nazca Segundo as autoridades espanholas, mais de 48 das 50 mil pessoas que entraram na cidade desde quinta (30) já retornaram ao Marrocos. Também foi anunciado que o número de mortes durante a grande invasão subiu: agora são pelo menos 67. "Quase todos eles já deixaram Ceuta. A situação se inverteu quase completamente", afirmou o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, a jornalistas. Soldados espanhóis encontram um migrante escondido em um túnel na praia de Tarajal — Foto: REUTERS/Jon Nazca Para evitar novas chegadas pelo mar, a Guarda Civil começou a instalar uma barreira flutuante de 500 metros. Em comunicado, a organização explicou que a barreira pneumática, juntamente com uma linha de boias navais ancoradas, foi projetada para ficar de 30 a 70 centímetros acima da água e se estender até um metro abaixo da superfície. Um canal entre as barreiras permitirá que embarcações da Guarda Civil patrulhem a área. Muitos dos imigrantes que atravessaram para Ceuta foram levados a migrar por dificuldades econômicas e foram incentivados por boatos nas redes sociais. A Reuters conversou com dois homens que iniciavam o trajeto de retorno para casa e eles contaram que ficaram decepcionados ao encontrar muita hostilidade e falta de oportunidades. "Eu queria ter uma vida melhor, mas aqui só encontrei fome e miséria. Queria me juntar à minha mãe na Espanha. Tudo estava fechado, inclusive os cafés. Um cigarro custava 2 euros, uma baguete custava 3 euros. Isso é demais", lamentou Brahim Karroubi. "Vou voltar. Não há nada para fazer aqui. Os habitantes de Ceuta nos trataram mal, estamos com fome. As lojas estão fechadas", acrescentou Mohamed, de 27 anos. Já os moradores de Ceuta se mostraram aliviados com a volta à normalidade, mas disseram que ainda se sentem inseguros após a grande invasão há dois dias. Um deles afirmou que a chegada de 60 mil pessoas em menos de uma hora foi "inaceitável". "Embora as coisas tenham se acalmado um pouco, Ceuta continua sendo insegura e ainda precisamos da polícia e dos militares, porque isso é um aviso de que eles podem nos invadir quando quiserem", disse a garçonete Marina Castano, cujo bar reabriu neste sábado. LEIA TAMBÉM Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Junto com Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África. A cidade fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Apesar de pertencer à Espanha há séculos, o Marrocos reivindica a soberania sobre o território, o que gera atritos diplomáticos recorrentes. Por fazer parte da Espanha, Ceuta também integra a União Europeia. Para muitos migrantes, entrar na cidade representa a primeira porta de acesso ao bloco europeu. Mapa mostra localizações de Ceuta e Melilla, exclaves espanhóis na África, em meio a crise migratória em julho de 2026. — Foto: Dhara Pereira e Lara Bernardino/Arte g1