Giorgia Meloni e Mette Frederiksen pediram a suspensão do Espaço Schengen na Espanha em reação ao noticiário de que dezenas de milhares de imigrantes invadiram Ceuta, exclave do país europeu no norte do Marrocos. A península é território espanhol, porém não funciona como União Europeia à luz do tratado de livre circulação.

Ou seja, falar de Espaço Schengen, neste momento, passa a impressão de ignorância ou oportunismo. A segunda explicação sobra quando se percebe os diversos contextos do episódio.

Magnus Brunner, comissário de Migração da UE, reiterou a exceção em postagem no X. "O Código das Fronteiras de Schengen prevê regras especiais aplicáveis a Ceuta e Melilha. Os controles de fronteira (…) continuam em vigor", ponderou o político austríaco.

Lembrou também que o Marrocos é um país de origem seguro para o bloco, o que significa deportação automática de seus cidadãos em situação ilegal —a maioria entre os quase 60 mil que protagonizaram a "inaceitável invasão" de quinta-feira (30).

Não adiantou muito. A Itália suspendeu unilateralmente o acordo nas ligações aéreas e marítimas com a Espanha. E, assim com a primeira-ministra da Dinamarca, diversos outros líderes europeus saíram às redes para recusar qualquer aventura humanitária diante do novo capítulo da crise migratória que assola o continente há mais de década. Até Donald Trump e seu vice, J. D. Vance, opinaram sobre o tema nesta sexta-feira.