Meloni disse que a suspensão do chamado 'Espaço Schengen' faz parte de 'medidas extraordinárias' para proteger as fronteiras e a segurança dos cidadãos italianos Imigrantes rompem cerca e invadem enclave espanhol de Ceuta — Foto: Antonio Sempere/AP O governo da Itália informou em comunicado nesta sexta-feira que suspendeu a livre circulação do Espaço Schengen com a Espanha após a crise migratória em Ceuta, que levou cerca de 50.000 pessoas a invadirem a cidade espanhola a nado. O Espaço Schengen é a área de livre circulação da Europa em que as pessoas podem viajar entre os países participantes sem passar por controles sistemáticos de fronteira. O sistema foi criado pelo Acordo de Schengen, de 1985, e seu nome faz referência à cidade de Schengen, em Luxemburgo, onde foi assinado. Hoje, a área reúne 29 nações, a maior parte integrante da União Europeia, além de alguns países que não fazem parte do bloco, como Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que a suspensão de Schengen faz parte de "medidas extraordinárias" para proteger as fronteiras e a segurança dos cidadãos. Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, acusou a política espanhola de anistia de ter "incentivado o tráfico de pessoas". Em resposta, a Espanha convocou o embaixador italiano para protestar contra as declarações de Tajani. Além da Itália, o ministro do Interior da França, Laurent Nunez, anunciou o reforço imediato dos controles na fronteira com a Espanha, medida permitida pelas regras do Espaço Schengen em circunstâncias excepcionais. Mais cedo, o governo espanhol informou que conseguiu reverter o fluxo migratório e que mais da metade das pessoas vindas do Marrocos retornaram de Ceuta. A crise provocada pela entrada em massa de migrantes na cidade da Espanha intensificou ainda mais as divergências entre governos europeus sobre política migratória. O governo espanhol do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez é visto como uma exceção à tendência de endurecimento das políticas migratórias no continente, embora afirme manter uma postura firme contra entradas irregulares, mas defende que a imigração fortalece sua economia. Nos últimos meses, Madri promoveu uma ampla anistia que permitiu a centenas de milhares de imigrantes solicitar residência legal.