Christopher Knittel, professor de economia da energia do MIT (Massachusetts Institute of Technology, EUA), publicou em junho um diagnóstico sobre o setor elétrico muito útil para entender o que acontece no Brasil.

Lá e cá, as tarifas de eletricidade foram desenhadas para um sistema com pouca variação de custo ao longo das 24 horas do dia. Os antigos medidores funcionavam razoavelmente bem, registrando apenas o consumo acumulado do mês, em kWh.

Hoje, com a expansão da geração eólica e solar, o custo da energia varia significativamente de hora para hora. Em princípio, essa nova realidade não seria um problema, pois há medidores inteligentes capazes de registrar quanta energia é utilizada em qualquer intervalo de tempo.

Mas a tarifa para a quase totalidade dos consumidores de baixa tensão continua considerando que um kWh às 14h de um dia ensolarado, quando sobra energia, e um kWh às 19h, quando falta, valem a mesma coisa.Como diz um didático texto da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre tarifas horárias, "no sistema elétrico, a energia sempre teve hora. Só o preço ainda finge que não". Segundo Knittel, temos medidores inteligentes e preços bobos.

A tarifa volumétrica, também chamada de plana, que depende da quantidade de kWh utilizados no mês, não consegue sinalizar o custo da energia em cada hora, recuperar o custo da capacidade dimensionada para atender o pico sistêmico do consumo e financiar custos residuais —políticas públicas, encargos e subsídios— que não dependem do consumo horário. Um único preço não dá conta do recado.