Excesso de geração solar em telhados e baixa demanda preocupa Operador Nacional do Sistema 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Placas de energia solar em telhado do Rio — Foto: Pedro Teixeira/Agência O Globo Um ano depois de o sistema elétrico ficar à beira de um colapso por conta do excesso de geração de energia solar em telhados e da baixíssima demanda, no Dia dos Pais de 2025, o setor se prepara para a data comemorativa de 2026. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já emitiu um alerta de “sinal vermelho” para as distribuidoras se prepararem para acionar, no domingo, um plano emergencial para gerir excedentes de energia do sistema nacional e evitar apagão. O acionamento, no entanto, só será confirmado no sábado, quando a programação de domingo será definida, de acordo com pessoas envolvidas no assunto. O plano é acionado quando há excesso de geração inflexível no sistema elétrico, ou seja, que não pode ser manejada pelo operador, e pelo pouco consumo de energia. Esse cenário decorre da forte produção de energia solar em telhados e pelo consumo baixo pelo fato de ser um domingo, quando há muito menos demanda da indústria e do comércio. O Dias dos Pais é um marco importante para isso porque as famílias tendem a estar reunidas em um dia com alta irradiação solar. Em dias em que a carga é reduzida e a contribuição da micro e minigeração distribuída (como é chamada a produção de energia em telhados) alcança patamares elevados, o sistema elétrico pode ser submetido a situações de demanda líquida muito baixa. O plano de emergência prevê, entre outras ações, o corte de usinas de pequeno porte, conectadas diretamente à rede de distribuição e que não são controladas pelo operador. Em geral, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e usinas eólicas e solares de menor porte. No Dia dos Pais do ano passado, o sistema passou por um estresse na sua operação no início da tarde. Naquele momento, a geração distribuída foi responsável por 37,6% da demanda. Com a elevada a geração de energia em telhados, o ONS reduziu a produção de hidrelétricas e termelétricas e cortou 98,5% do potencial de geração de energia eólica e solar centralizadas (em usinas) estimado para aquele horário. Restaram apenas 2 gigawatts (GW) de geração flexível — cerca de 5% do total — para ser manejada pelo ONS naquele momento. Se essa margem fosse consumida, o operador teria que violar restrições técnicas, como operar usinas abaixo do mínimo seguro ou desrespeitar limites técnicos de linhas transmissão, coisas que comprometem a segurança do sistema. Um risco para o sistema. Os dias críticos para segurança do sistema elétrico aumentaram. Levantamento da Volt Robotics aponta que, entre janeiro e julho deste ano, já foram seis dias de estresse. No mesmo período de 2025, houve três dias críticos. Dois anos antes, em 2024, houve apenas um em dia em que foi necessário cortar acima de 80% da geração eólica e solar potencial para manter a operação do sistema.